Turquia ordena prisão de 295 militares acusados de ligação com clérigo opositor

Entre os detidos estão três coronéis, oito majores, dez tenentes e membros do Exército

Istambul | Reuters

A Turquia ordenou a prisão de 295 militares nesta sexta-feira (22), informou a promotoria de Istambul. Eles são acusados de ligações com a rede do clérigo muçulmano Fethullah Gulen, que, segundo Ancara, orquestrou uma tentativa de golpe contra o governo turco em 2016

Entre os detidos estão três coronéis, oito majores e dez tenentes. Segundo o comunicado, metade dos suspeitos são do Exército e o restante da Marinha e Aeronáutica.

Um manifestante segura fotos do primeiro-ministro turco Tayyip Erdogan (E) e do clérigo turco Fethullah Gülen (D)
Um manifestante segura fotos do primeiro-ministro turco Tayyip Erdogan (E) e do clérigo turco Fethullah Gülen (D) - Osman Orsal - 11.jan.19/REUTERS

O Ministério Público informou que a polícia iniciou operações de detenção na madrugada desta sexta-feira, após investigação de ligações telefônicas entre agentes suspeitos.

A polícia de Istambul disse que 150 suspeitos foram detidos até agora, como parte da operação espalhada em 55 províncias.

Cerca de 250 pessoas foram mortas no golpe fracassado, ao qual Gulen, ex-aliado do presidente Tayyip Erdogan, negou envolvimento. O clérigo vive um autoexílio na Pensilvânia, nos Estados Unidos, desde 1999.

Mais de 77 mil pessoas estão presas e aguardam julgamento desde o golpe de 2016. Autoridades suspenderam ou demitiram 150 mil funcionários públicos e militares desde então.

Os aliados ocidentais da Turquia criticaram as prisões, porque Erdogan estaria usando a tentativa de golpe como pretexto para reprimir dissidentes. Autoridades turcas dizem que as medidas são necessárias para combater ameaças à segurança nacional.

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