Descrição de chapéu Venezuela

Venezuela vive dilema entre ditadura e democracia, afirma Guaidó em Brasília

Líder oposicionista se encontra com o presidente Jair Bolsonaro, que lhe promete 'apoio total'

Brasília

Em pronunciamento ao lado do presidente Jair Bolsonaro, o líder oposicionista venezuelano Juan Guaidó disse nesta quinta-feira (28) que em seu país não há um dilema entre guerra e paz, mas sim entre ditadura e democracia.

"Não é certo dizer que há um dilema na Venezuela entre guerra e paz, na Venezuela há um dilema entre a democracia e a ditadura, entre a miséria e a morte da nossa gente", afirmou.

O líder oposicionista venezuelano Juan Guaidó, em Brasília - Sergio Lima/AFP

Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela em oposição ao ditador Nicolás Maduro, chegou a Brasília na noite de quarta-feira (27). 

Depois de um breve encontro com Bolsonaro, no Palácio do Planalto, ele disse que a visita a Brasília marca, sem dúvida, um momento importante na história da região".

"Um novo começo de relacionamento positivo entre Venezuela, Brasil e a região", disse.

Em seu discurso, Bolsonaro chamou Guaidó de "irmão" e de "esperança" e disse que o Brasil não poupará esforços, dentro dos princípios da legalidade, para que a democracia seja restabelecida na Venezuela. Isso só será possível através de eleições limpas e confiáveis", disse.

O presidente brasileiro, que precisou de tradução simultânea para acompanhar o discurso do venezuelano, afirmou ainda que Guaidó poderá contar com o Brasil para atravessar a atual crise econômica e ressaltou que continuará apoiando as resoluções do Grupo de Lima, fórum formado por 14 países das Américas.

O líder venezuelano mencionou a relação comercial entre os dois países que, segundo ele, chegou a US$ 5 bilhões e hoje é de US$ 200 milhões.

Ele disse ainda que, para a recuperação econômica do país, a Venezuela precisa reconquistar a democracia por meio de eleições livres.

"[ A crise] é produto da corrupção, do ataque dos direitos humanos na Venezuela, ataque à industria privada", afirmou.

Ele citou ainda a grande quantidade de venezuelanos que deixou o país em meio à crise e disse que o caminho é a volta para casa.

Ao lado de Bolsonaro, Guaidó disse que continua lutando para que chegue ao seu país a ajuda humanitária que está sendo coordenada pelo Brasil com a ajuda dos EUA.

O brasileiro aproveitou o discurso para voltar a fazer ataques aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. Segundo ele, os seu antecessores foram, em parte, "responsáveis pelo que vem acontecendo na Venezuela hoje em dia".

"O povo se mirou no que acontecia negativamente em seu país e resolveu dar um ponto final ao populismo e demagogia barata, que leva à situação que seu país se encontra. Essa esquerda gosta tanto de pobres que o acabou multiplicando", criticou. ​

Segundo ele, a democracia e a liberdade devem ser sempre tratadas "com carinho" e "vigiadas". Ele terminou o discurso agradecendo Guaidó por confiar no povo brasileiro. "Conte conosco. Deus é brasileiro e venezuelano", afirmou. 

Guaidó deixará o Brasil nesta sexta-feira (1º/3) para visitar o Paraguai. Segundo Guaidó, o plano é retornar à Venezuela na segunda (4/3). 
 

Talita Fernandes, Ricardo Della Coletta e Gustavo Uribe
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