Descrição de chapéu Deutsche Welle Folha Mulher

Antes associado ao comunismo, Dia da Mulher vira feriado em Berlim

Data é celebrada com folga oficial pela primeira vez em 2019

Franziska Giffey, ministra para assuntos de Família, Idosos, Mulheres e Jovens, descarrega contêiner de lixo em ação em Berlim - Fabrizio Bensch - 7.mar.2019/Reuters
DW

Foi em 1910, na Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada naquele ano em Copenhague, que a ativista alemã Clara Zetkin sugeriu, pela primeira vez, a ideia de uma jornada internacional da mulher.

Um ano depois, ao lado da Áustria, da Suíça e da Dinamarca, a Alemanha celebrou pela primeira vez o Dia da Mulher em 19 de março. A data foi marcada por manifestações em favor do voto feminino, que as mulheres alemãs puderam exercer pela primeira vez em 1918.

Um século depois, vestida com o uniforme de cor laranja típico dos lixeiros de Berlim, a ministra alemã da Família, Franziska Giffey, andava por um subúrbio de Berlim na caçamba de um caminhão de lixo nesta quinta-feira (7). O objetivo: desafiar estereótipos de gênero em profissões dominadas por homens.

"Quando se trata de igualdade de gênero, avançamos muito nos últimos anos", afirmou Giffey na véspera do primeiro Dia da Mulher, que agora é também feriado oficial em Berlim. "Estamos no centésimo ano do voto feminino, mas ainda há muito por fazer."

"Temos que garantir que as mulheres possam atuar em qualquer profissão, e não apenas nas de liderança. Temos que garantir mais valor às profissões sociais. Temos que garantir que se faça mais contra a violência doméstica, especialmente contra as mulheres."

Ao longo dos 101 anos desde a iniciativa de Zetkin, a compreensão do que é o Dia da Mulher mudou muito.

A celebração em 8 de março, que se consolidou depois de 1921, foi uma ideia da revolucionária marxista Alexandra Kollontai. A intenção era comemorar a greve das trabalhadoras de Petrogrado [hoje de novo São Petersburgo], no mesmo dia, em 1917. Aquela manifestação é vista como o prelúdio da Revolução de Outubro na Rússia, oito meses depois.

Na época da República de Weimar, o Partido Social-Democrata da Alemanha, então no poder, rejeitou a data devido a reservas em relação a Lenin e a revolução russa. A data também era descartada pelos fascistas.

Na Alemanha do pós-Guerra, o 8 de março foi amplamente rejeitado na Alemanha Ocidental, com o argumento de que se tratava de um dia de auto celebração na Alemanha Oriental. Nesta, o Dia da Mulher era de grande importância.

O feriado do lado oriental buscava promover a igualdade e a valorização do trabalho das mulheres, que geralmente recebiam rosas vermelhas. A Alemanha Oriental também concedia uma medalha Clara Zetkin para as mulheres e organizações que apoiaram causas feministas e socialistas no país.

No lado ocidental, as mulheres só começaram a fazer ouvir a sua voz no dia 8 de março nos anos 1970. Em 1977, as Nações Unidas declararam o 8 de março o Dia Internacional da Mulher.

Em 2019, pela primeira vez a data será também feriado na Alemanha –mas só na cidade-Estado de Berlim, o primeiro dos 16 estados da federação a adotar essa medida.

Manifestações deverão ocorrer na capital alemã, ao lado do monumento a Clara Zetkin e na praça Alexanderplatz, um dos símbolos da cidade. Sindicatos e organizações de direitos das mulheres e dos refugiados deverão se encontrar no largo e de lá marchar até o bairro de Kreuzberg para um "grito global" –um grito em uníssono de um minuto para "extravasar a raiva", segundo os organizadores.

Os principais temas da manifestação deste ano são pobreza entre idosos e a desigualdade de salários e condições de trabalho entre homens e mulheres. A diferença de 21% entre os salários de homens e mulheres também é uma das prioridades dos manifestantes.

O ministro alemão do Exterior, Heiko Maas, destacou que igualdade é "sobre representação, participação, oportunidades iguais e direitos iguais." Toda pessoa que "sinceramente acredita na democracia" deve lutar pelos direitos das mulheres e por igualdade "sem qualquer porém ou mas", afirmou.

Erramos: o texto foi alterado

Alexandra Kollontai não era mulher de Vladimir Lênin. A informação foi corrigida.

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