'Coletes amarelos' são presos após proibição de protestos na França

Milhares de policiais foram posicionados nas principais cidades do país

"Colestes amarelos" participam de manifestação neste sábado (23), em Paris
"Colestes amarelos" participam de manifestação neste sábado (23), em Paris - Kenzo Tribouillard/AFP
Paris | AFP

Milhares de policiais foram mobilizados na manhã deste sábado (23), na França, em mais um dia de protestos dos "coletes amarelos".

Em Paris, manifestantes começaram a se reunir pacificamente na praça Trocadero, em frente à torre Eiffel. Outros se encontraram na praça Denfert-Rochereau, onde uma procissão de centenas de manifestantes partiu para Montmartre.

O departamento de polícia de Paris anunciou na sexta (22) que os "coletes amarelos" não poderão se manifestar neste sábado (23) na Champs-Elysées, na capital, e em um perímetro que inclui o Palácio do Eliseu e a Assembleia Nacional.

Dezenas de veículos policiais, incluindo caminhões blindados e canhões de água, foram posicionados ao redor do Arco do Triunfo, que domina a emblemática avenida.

Até o meio-dia (hora local), 31 pessoas haviam sido presas em Paris por terem se reunido nesse perímetro e 15 foram multadas. As multas para o caso de participar de uma manifestação sem autorização, passaram esta semana de cerca de 38 para 135 euros, a fim de dissuadir os manifestantes.

A proibição aconteceu seis dias após manifestantes saquearem lojas e provocarem incêndios na famosa avenida da capital francesa. Só em Paris, 151 pessoas foram detidas, e 27 sofreram ferimentos. Os protestos, organizados por opositores às políticas do presidente Emmanuel Macron, vêm ocorrendo há 19 sábados.

De acordo com as agências internacionais, havia um clima de tensão nas ruas.

​Além de Paris, Nice, Bordeaux e Toulouse, ao sul do país, também proibiram manifestações em diversas áreas. Em Nice, dezenas de "coletes amarelos" desafiaram as autoridades e se reuniram em uma das principais praças da cidade, mas foram rapidamente cercados pela polícia. Seis foram detidos.

"Há sérios motivos para acreditar que violência e degradação devem ocorrer novamente durante os protestos anunciados", afirma o decreto assinado pelo novo chefe da polícia de Paris, Didier Lallement, cujo antecessor foi demitido no sábado passado. 

O governo francês havia anunciado na segunda-feira a proibição de manifestações em várias partes do país devido os violentos distúrbios na Champs-Elysées. Joalherias e lojas saqueadas, restaurantes e bancos incendiados, confrontos entre manifestantes e policiais. 

As imagens de violência na avenida parisiense causaram indignação e fizeram lembrar as cenas de caos de dezembro, quando o Arco do Triunfo foi vandalizado. 

As seguradoras avaliaram os prejuízos de quatro meses de protestos, sem contar os de sábado, em 170 milhões de euros (cerca de R$ 751,6 milhões).

Os protestos contra a alta dos combustíveis e pela melhora do poder aquisitivo começaram em 17 de novembro sem tons políticos e sem apoio de sindicatos.

Mas o movimento logo se tornou a pior crise social para o presidente Macron desde sua chegada ao poder, em maio de 2017.

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