Descrição de chapéu The New York Times

Após ataques na Nova Zelândia, cresce número de pessoas interessadas em morar lá

Atirador que se declarou fascista invadiu mesquitas e deixou 50 mortos há duas semanas

Flores deixadas em homenagem aos mortos, na cidade de Christchurch, na Nova Zelândia - Sanka Vidanagama/AFP
Christchurch (Nova Zelândia) | The New York Times

A imagem da Nova Zelândia como uma nação pacífica e isolada dos problemas do mundo foi abalada pelos recentes ataques terroristas em Christchurch, mas parece que a resposta do país teve um efeito inesperado: o número de pessoas que se declaram interessadas em viver lá cresceu.

A agência de imigração neozelandesa anunciou na quinta-feira (28) que o número de pessoas que registraram interesse em viver e trabalhar na Nova Zelândia —o primeiro passo para solicitar um visto— havia crescido nos dez dias posteriores ao ataque de 15 de março, em comparação com os dez dias anteriores.

Peter Elms, gerente geral assistente da Immigration New Zealand, anunciou em comunicado que, depois dos ataques, 6.457 pessoas registraram seu interesse por viver na Nova Zelândia, ante 4.844 nos dez dias anteriores. O maior aumento envolve cidadãos dos Estados Unidos; 1.165 deles expressaram interesse em viver na Nova Zelândia, no período, ante 674 nos dez dias anteriores ao ataque.

Um atirador abriu fogo contra os fiéis que compareceram às orações da sexta-feira em duas mesquitas de Christchurch, matando 50 pessoas. Isso levou a primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern a agir rapidamente para pressionar por restrições rigorosas à venda do tipo de arma usado nos ataques.

Além do aumento do interesse de americanos por viver na Nova Zelândia, também um houve salto considerável no número de registros por pessoas que vivem em países predominantemente muçulmanos.

Nos dez dias posteriores ao ataque, 333 pessoas do Paquistão —o país de origem de nove das vítimas fatais— registraram interesse em viver na Nova Zelândia, ante 65 nos dez dias anteriores. Houve 165 registros por pessoas da Malásia, ante 67 no período no período anterior ao ataque.

Ardern foi muito elogiada, em seu país e no exterior, por sua reação ao acontecido, o que inclui sua decisão de usar um hijab ao visitar mesquitas e conversar com as famílias das vítimas, depois dos ataques.

Não é a primeira vez que eventos noticiosos levam a uma alta no interesse por viver na Nova Zelândia, uma nação de cerca de cinco milhões de pessoas. Nas 24 horas posteriores à eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, em 2016, as autoridades de imigração neozelandesas registraram 7.000 inscrições de americanos interessados em viver no país; no mês da eleição, o número de registrados americanos foi de 17 mil. A Immigration New Zealand tipicamente recebe 3.000 pedidos de inscrição de cidadãos americanos a cada mês.

Mustafa Farrouk, presidente da Federação de Associações Islâmicas da Nova Zelândia, disse que as famílias das vítimas dos ataques em Christchurch haviam falado sobre a resposta do governo neozelandês ao acontecido em termos muito elogiosos, e que não o surpreendia que tanta gente estivesse interessada em viver lá.

Falando sobre a família de Mucad Ibrahim, um menino de três anos morto nos ataques, Farouk afirmou que "o pai dele me disse que sempre amou a Nova Zelândia, mas que agora esse amor é ainda maior".

Tradução de Paulo Migliacci

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