Pesquisa mostra que 59% dos EUA avaliam que imigrantes fortalecem o país

Americanos opinam que imigração não aumenta risco de terrorismo, mas se dividem quanto à deportação de ilegais

Manifestante participa de protesto contra as políticas de imigração do presidente dos EUA, Donald Trump, em Nova York
Manifestante participa de protesto contra as políticas de imigração do presidente dos EUA, Donald Trump, em Nova York - Johannes Eisele - 18.fev.19/AFP
Marina Dias
Washington

Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (14) pelo Pew Research Center mostra que 59% da população dos Estados Unidos avalia que os imigrantes são uma força e não um peso para o país. 

De acordo com o relatório, seis em cada dez americanos dizem que imigrantes fazem a nação mais forte com seu trabalho e talento, enquanto 34% acreditam que eles tiram empregos e benefícios sociais de quem nasceu nos EUA.

As outras opções para a pesquisa eram nenhuma das duas alternativas ou as duas. A pessoa consultada também poderia se recusar a responder.

A maioria da população norte-americana —56%— também opina que estrangeiros não aumentam os riscos de terrorismo no país, e 77% não acham que eles devam ser culpados por crimes em maior medida apenas por serem de outras nacionalidades.

Os números se chocam diretamente com a retórica anti-imigração do presidente Donald Trump. Desde que foi eleito, o republicano atua para construir um muro na fronteira entre os EUA e o México, mas sofre resistência do Partido Democrata no Congresso

O presidente costuma dizer que a divisa de seu país sofre com uma crise imigratória que permite a entrada de drogas e criminosos em terras americanas, mas os dados divulgados pelo centro de pesquisas mostram que a maior parte da população dos EUA não vê os imigrantes de forma negativa.

Quando o assunto é a deportação daqueles que estão no país ilegalmente, porém, há divisão —47% são contra a deportação de ilegais, enquanto 46% são a favor.

Nos outros 17 países onde a pesquisa foi feita, a média é de 61% favorável à deportação e 35%, contra. De todas as nações consultadas, somente o México tem maioria contra a deportação de ilegais: 50% contra e 43% a favor.

Os EUA têm a maior população de imigrantes do mundo —cerca de 44,4 milhões vivem no país, de acordo com dados de 2017. Ilegais correspondem a 23% do total.

Ainda de acordo com a pesquisa publicada nesta quinta, a população imigrante vem caindo nos EUA desde 2007, o que também contraria o discurso do Trump, que fala em invasão de estrangeiros no país.

O levantamento foi realizado em 18 países que abrigam metade dos 127 milhões de imigrantes que hoje vivem no mundo e, por isso, não inclui o Brasil.

Na maioria deles a opinião dos EUA é compartilhada: na média, cerca de 56% respondem que os estrangeiros são uma força para o país, enquanto 38% dizem que eles são um fardo.

Entre os que enxergam os estrangeiros com otimismo estão EUA, Alemanha, Reino Unido, França, Canadá e Austrália —cada um deles hospedando mais de 7 milhões de imigrantes em 2017.

EUA, Canadá e Austrália são os principais destinos de imigração desde o século 19.

Na década de 1990, porém, a percepção sobre a imigração era diferente nos EUA, e cerca de 60% viam os imigrantes como um peso para o país.

O Canadá é o campeão de bons olhos para imigrantes: 68% os veem como força, e 27% como peso.

Por outro lado, cinco países —Hungria, Grécia, África do Sul, Rússia e Israel— enxergam os imigrantes como um fardo para seus países. Com exceção à Rússia, os outros quatro têm menos de 5 milhões de imigrantes cada um.

A Hungria rechaça fortemente os imigrantes: 73% acham que os estrangeiros são um peso para o país, e apenas 5% avaliam que eles fortalecem a nação.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, é ligado à nova direita populista, identificada também com o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e Trump.

De acordo com o Pew Research Center, a opinião das pessoas sobre imigração está também ligada ao espectro ideológico que ocupam: as de esquerda observam a imigração de forma mais positiva que as de direita, assim como as de maior escolaridade, as mais jovens e as com maiores salários, que tendem a  opiniões afirmativas sobre eles.

Nos países da União Europeia que receberam uma onda de refugiados desde 2015, como Grécia, Alemanha e Itália, o número de pessoas que dizem ver nos imigrantes mais força do que peso caiu significativamente. A Grécia é onde ocorreu a maior queda desde 2014 na percepção positiva sobre imigrantes: de 19% para 10%.

Outro assunto que divide a opinião dos entrevistados é a disposição dos imigrantes para adotarem os costumes do país de acolhimento: média de 49% diz que os estrangeiros querem se diferenciar, e 45% afirmam que eles querem adotar o modo de vida nos países em que estão vivendo.

Nos EUA, 54% dizem que os imigrantes querem adotar costumes americanos, enquanto 37% afirmam que eles querem ser diferentes.

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