Responsável por massacre na Bósnia é condenado a prisão perpétua após apelação

Radovan Karadzic foi inicialmente sentenciado a 40 anos de cadeia

Haia | Reuters

Juízes da ONU sentenciaram o ex-líder político bósnio-sérvio Radovan Karadzic a prisão perpétua por genocídio nesta quarta (20), encerrando um dos julgamentos mais importantes sobre massacres e outras atrocidades cometidas durante as guerras dos anos 1990 nos Bálcãs.

Os juízes de apelação confirmaram a condenação de Karadzic por genocídio pelo massacre de Srebrenica em 1995, durante a Guerra da Bósnia, e determinaram que a sentença de 40 anos ordenada por juízes no seu julgamento anterior havia sido leve demais, dada a gravidade de seus crimes e o peso de sua responsabilidade.

Sobreviventes aplaudiram depois que o juiz Vagn Joensen leu a sentença. Karadzic, que argumentou que o tribunal das Nações Unidas era tendencioso contra ele, permaneceu impassível.

Karadzic, 73, foi condenado em 2016 pelo massacre de julho de 1995 de mais de 8.000 homens e meninos muçulmanos pelas forças separatistas bósnias-sérvias na cidade de Srebrenica, no leste da Bósnia. Ele também foi considerado culpado de liderar uma campanha de limpeza étnica que expulsou croatas e muçulmanos de áreas da Bósnia reivindicadas pelos sérvios.

O ex-líder político Radovan Karadzic - Peter Dejong/Reuters

Em recurso, os promotores pediram uma sentença de prisão perpétua e uma segunda condenação por genocídio pelo suposto envolvimento de Karadzic em uma diretriz de atacar não-sérvios em várias cidades bósnias nos primeiros anos da guerra de 1992 a 1995. Os juízes rejeitaram o pedido da segunda condenação por genocídio, mas confirmaram a condenação de Karadzic por outros crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

A decisão de quarta-feira (20) é final e não pode ser contestada em recurso. Terá enorme ressonância na ex-Iugoslávia, especialmente na Bósnia, onde as comunidades étnicas permanecem divididas e Karadzic ainda é visto como um herói por muitos bósnios-sérvios.

"Em 1992, Radovan Karadzic disse que os muçulmanos iriam desaparecer", disse Munira Subasic, do grupo Mothers of Srebrenica (mães de Srebrenica), pouco antes da decisão. "Graças a Deus, mulheres e mães de Srebrenica estão aqui para lutar por justiça e verdade. Se ele receber outra coisa senão uma sentença de prisão perpétua, o tribunal iugoslavo terá cometido um genocídio de justiça."

Escondido por mais de uma década depois da guerra, Karadzic foi preso e levado a tribunal em julho de 2008. Ele permanecerá sob custódia no centro de detenção da corte em Haia até que os juízes determinem onde ele cumprirá sua sentença.

Mulheres da região de Srebrenica, na Bósnia-Herzegovina, reagem após o veredito do julgamento do ex-líder político sérvio-bósnio Radovan Karadzic - Dado Ruvic/Reuters

Um veredito de apelação está pendente no caso do ex-comandante militar sérvio bósnio Ratko Mladic, que foi condenado por crimes de guerra e genocídio em novembro de 2017 e recebeu prisão perpétua. 

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