Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Trump deve frustrar pauta econômica de Bolsonaro em viagem aos EUA

Washington prevê não endossar entrada do Brasil na OCDE, clube de países ricos

Ricardo Della Coletta
Brasília

 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve frustrar algumas das principais pautas comerciais que o governo brasileiro espera conquistar na visita de Jair Bolsonaro a Washington, na terça-feira (19).

Autoridades norte-americanas já avisaram membros da administração Bolsonaro que dificilmente Washington realizará um endosso enfático às ambições brasileiras de ingressar na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

A entrada na OCDE é um pleito brasileiro desde 2017. O argumento é que o ingresso no chamado clube dos países ricos melhoraria a confiança dos investidores internacionais no Brasil. Por isso, um dos maiores defensores da incorporação do Brasil ao organismo é o ministro da Economia, Paulo Guedes.

No entanto, a expansão da OCDE encontra forte resistência dentro do governo dos Estados Unidos. Segundo negociadores brasileiros, os EUA têm questionamentos sobre o modelo de governança da organização e querem critérios mais claros para candidaturas de novos países.

Hoje, membros do governo brasileiro avaliam que os norte-americanos não devem aceitar incluir numa declaração escrita o aval de Washington à candidatura do Brasil.

Apesar disso, pontuam que o tema deverá ser tratado na conversa privada de Bolsonaro com Trump, cujo resultado é imprevisível. Os brasileiros apostam que a conversa entre os dois possa resultar num aceno positivo do mandatário norte-americano às pretensões brasileiras.

A adesão do Brasil ao clube dos países ricos é um dos principais objetivos da política externa do chanceler Ernesto Araújo.

O presidente Jair Bolsonaro - Pedro Ladeira/Folhapress

Além desse pleito, ao menos outros dois acordos que poderiam melhorar o ambiente comercial entre os dois países — e que geravam expectativa do lado brasileiro — não serão assinados na terça-feira.
O primeiro deles é o acordo de reconhecimento mútuo de operadores econômicos autorizados, que facilita os trâmites de exportação e importação para um grupo pré-selecionado de empresas.

Não houve tempo hábil para a conclusão desse acordo, mas a ideia é que Brasil e EUA se comprometam a impulsionar as conversas para fechá-lo no curto prazo. O outro texto que não será assinado na terça é o chamado Global Entry, que agiliza a entrada em território norte-americano de viajantes frequentes.

Essa medida visa atender empresários e viajantes de alta renda que tenham negócios e propriedades nos EUA. Os EUA toparam celebrar esse entendimento, mas ele encontra entraves ainda não solucionados pelas próprias autoridades brasileiras e só poderá ser assinado depois da visita de Bolsonaro a Trump.

No agronegócio, tampouco deve haver uma sinalização positiva no sentido de reabertura do mercado dos Estados Unidos para a carne bovina in natura brasileira, um dos principais pedidos da ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

Nesta terça-feira (12), Tereza Cristina disse que espera “boa vontade” dos EUA e que o Brasil já havia cumprido “tudo o que foi pedido” para a retomada das exportações.

Os norte-americanos, entretanto, informaram Brasília que se trata de um tema de controle fitossanitário, que precisa respeitar dinâmicas próprias que impossibilitam um anúncio na terça-feira.

Os EUA, por exemplo, precisam agendar uma visita de inspeção no Brasil para a liberação da carne brasileira, o que ainda não aconteceu.

O tema gera forte ansiedade entre produtores brasileiros, uma vez que os Estados Unidos vêm pressionando para que o Brasil reduza suas barreiras para a entrada de três produtos daquele país: etanol, trigo e carne de porco.

A possível entrada dessas mercadorias norte-americanas no Brasil sem a conquista de mercado para produtos brasileiros é considerada prejudicial por produtores rurais.

Dentre os acordos que serão assinados e que têm reflexo na área comercial, o mais importante deles são as salvaguardas tecnológicas para a exploração da base de Alcântara, no Maranhão.

O acerto é fundamental para que a Aeronáutica possa explorar comercialmente o centro de lançamentos em Alcântara, colocando o Brasil num mercado internacional milionário.

Além de Alcântara, Brasil e Estados Unidos devem celebrar outros acordos, como a reativação da comissão de um acordo de comércio e cooperação entre os dois países; o lançamento de um fórum de executivos; a constituição de um fundo para financiar pequenas empresas que atuem na área de sustentabilidade na Amazônia e a criação de um fórum na área de energia.

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