Após anúncio de pacote econômico, dólar dispara na Argentina

Inflação no país perde apenas para a da Venezuela entre os países da região

Sylvia Colombo
Buenos Aires

Numa quarta-feira (25) tensa na Argentina, o dólar voltou a atingir outro recorde histórico no meio da manhã, tocando os 47,50 pesos para venda.

O Banco Central interveio e, ao final, o valor da moeda norte-americana fechou em ARS$ 45,90.

Ainda assim, foi o suficiente para que o risco-país subisse de 800 para 1.000 pontos, um outro recorde. É o índice mais alto da era do presidente Mauricio Macri. A cifra só havia superado os 1.000 pela última vez em fevereiro de 2014, ainda na gestão de Cristina Kirchner.

Casa de câmbio anuncia cotação do dólar (ARS$ 47) no distrito financeiro de Buenos Aires nesta quinta (25)
Casa de câmbio anuncia cotação do dólar no distrito financeiro de Buenos Aires nesta quinta (25) - Agustin Marcarian/Reuters

A nova disparada do dólar ocorre uma semana depois de o governo anunciar um pacote de medidas para amenizar o impacto da alta inflação, que fechou março em 4,7%, segundo o Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos).

A cifra acumulada em 2019 já é de 11,8% e, nos últimos doze meses, de 54,7%. Trata-se da segunda maior inflação da região, depois da Venezuela.

O pacote contempla o congelamento de preços de mais de 60 produtos, descontos para beneficiários dos planos de assistência do governo e pensionistas, além da garantia de que, até o final do ano, não haverá mais aumentos de tarifas de transportes, luz e gás.

A equipe econômica do governo permaneceu reunida durante a manhã e não se descarta um novo pacote de benesses a ser anunciado nos próximos dias para conter a tensão social, que não baixou com o primeiro anúncio.

Os sindicatos anunciam uma greve geral na semana que vem, no dia 30 de abril, que deve paralisar transportes, distribuição de alimentos, coleta de lixo, aeroportos e outros serviços.

Quem tiver voo programado para a Argentina nessa data deve consultar sua companhia aérea.

Em entrevista à imprensa local, o presidente Macri disse que "os mercados duvidaram de nossa convicção de seguir por este caminho, mas o FMI [Fundo Monetário Internacional] continua acreditando que estamos trabalhando na direção certa".

O fundo abriu uma linha de crédito para o país de US$ 57 bilhões no ano passado."Os mercados são diferentes, são outro mundo. São pessoas atrás de um computador que compra e vendem têm uma visão de curto prazo", afirmou o presidente.

Macri também disse que o crescimento de Cristina Kirchner nas pesquisas eleitorais —no último fim de semana, a ex-presidente surgia com 9 pontos de vantagem num provável segundo turno contra Macri nas eleições de outubro deste ano— estava assustando investidores e o mercado internacional.

"Muitos creem que o passado foi melhor, mas a grande maioria dos argentinos não querem voltar atrás. Esse ruído de hoje foi gerado por isso" afirmou o presidente. 

Macri pediu às pessoas que "continuem remando" junto com ele e ratificou que concorrerá à reeleição.

"Depois que passarmos desta eleição, uma grande oportunidade se abrirá. As mudanças estruturais que estamos fazendo vão levar o país ao desenvolvimento."

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