Descrição de chapéu Governo Bolsonaro Venezuela

Após reunião sobre Venezuela, Bolsonaro encoraja apoio a Guaidó

Em nota, presidente disse que "acompanha com grande atenção a situação" no país vizinho

Talita Fernandes, Ricardo Della Coletta e Gustavo Uribe
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro encorajou outros países a apoiarem o movimento para depor o ditador Nicolás Maduro em torno do autoproclamado presidente Juan Guaidó (ACOMPANHE AO VIVO).

"Exortamos todos os países, identificados com os ideais de liberdade, para que se coloquem ao lado do presidente encarregado Juan Guaidó na busca de uma solução que ponha fim na ditadura de Maduro, bem como restabeleça a normalidade institucional na Venezuela", afirmou o presidente, por meio de nota divulgada pelo porta-voz do governo. 

O texto, assinado pelo general Otávio Santana do Rêgo Barros, repete que o Brasil "acompanha com grande atenção a situação na Venezuela e reafirma o irrestrito apoio ao seu povo que luta bravamente por democracia".

A nota foi divulgada após encontro realizado no Palácio do Planalto na manhã desta terça-feira (30) para discutir a situação da Venezuela. 

O presidente convocou uma reunião de emergência após líderes da oposição do país vizinho chamarem a população às ruas e anunciarem o apoio de militares dissidentes na luta contra o regime de Maduro.

Além de Bolsonaro, participaram do encontro o vice-presidente, general Hamilton Mourão, e os ministros Augusto Heleno (GSI), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Fernando Azevedo (Defesa).

À Folha, Mourão disse acreditar que a tentativa de deposição de Maduro na Venezuela é um movimento irreversível. "Não tem mais volta. As pontes foram queimadas", afirmou o general da reserva.

Mais cedo, o presidente fez duas publicações nas redes sociais sobre o tema.

Na primeira delas, aproveitou para criticar partidos de esquerda do Brasil ao dizer que o país "se solidariza com o sofrido povo venezuelano escravizado por um ditador apoiado pelo PT, PSOL e alinhados ideológicos", escreveu. "Apoiamos a liberdade desta nação irmã para que finalmente vivam uma verdadeira democracia."

Na sequência, fez menção direta a Guaidó. "O Brasil acompanha com bastante atenção a situação na Venezuela e reafirma o seu apoio na transição democrática que se processa no país vizinho. O Brasil está ao lado do povo da Venezuela, do presidente Juan Guaidó e da liberdade dos venezuelanos", publicou em sua conta do Twitter.

Na madrugada desta terça, os líderes opositores Juan Guaidó e Leopoldo López deram início a uma ação para tentar derrubar o regime de Nicolás Maduro.

López, que estava em prisão domiciliar, foi para a rua ao lado de Guaidó. Ambos se dirigiram para a base aérea de La Carlota, em Caracas, onde anunciaram o apoio de militares dissidentes e convocaram a população a se juntar a eles.

“Hoje soldados que são valentes vieram até aqui porque nosso Primeiro de Maio começou hoje. Estamos chamando as Forças Armadas para acabar com a usurpação hoje", disse Guaidó, por meio de um vídeo publicado em suas redes sociais, no qual aparece cercado de militares que o apoiam, armados, e ao lado de López.

Maduro, no entanto, disse que as Forças Armadas do país seguem leais a ele e convocou uma manifestação popular em apoio a seu governo.

As ruas de Caracas registram confrontos entre apoiadores de Maduro e a oposição. 

Um veículo blindado da Guarda Nacional, do regime de Maduro, atropelou e passou por cima de manifestantes da oposição em Caracas, mostraram imagens de TV.

Os manifestantes protestavam perto de uma base militar e atiravam paus e pedras contra os veículos. Não há informações sobre feridos.

Além de Bolsonaro, outros presidentes latino-americanos também fizeram publicações nas redes sociais em apoio a Guaidó, como o argentino Maurício Macri e o paraguaio Mario Abdo.

No fim de fevereiro, Guaidó foi recebido por Bolsonaro no Palácio do Planalto, pouco tempo depois de ter feito juramento como “presidente interino” da Venezuela.

O governo brasileiro apoia a oposição venezuelana contra o regime de Maduro, mas militares e o próprio presidente têm negado qualquer iniciativa de intervenção no território do país vizinho. 

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