Descrição de chapéu Venezuela

Três altos membros do regime abandonariam Maduro, diz Casa Branca

Ministro da Defesa, chefe de contra-inteligência e juiz do Supremo apoiariam Guaidó

Washington | Reuters

John Bolton, conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, afirmou nesta terça (30) que o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, tinha se comprometido a agir contra o ditador Nicolás Maduro, mas depois voltou atrás.

De acordo com o americano, o diretor-geral de contra-inteligência, Iván Rafael Hernández Dala, e o presidente da Suprema Corte, Maikel Moreno, fizeram o mesmo.

John Bolton, consultor de segurança da Casa Branca, responde a perguntas sobre a crise na Venezuela na terça (30/4)
John Bolton, consultor de segurança da Casa Branca, responde a perguntas sobre a crise na Venezuela na terça (30/4) - Joshua Roberts/Reuters

“É muito importante que três figuras do regime Maduro que estiveram falando com a oposição nos últimos três meses cumpram seu compromisso de alcançar uma transição pacífica de poder”, afirmou Bolton.

“Todos concordavam que Maduro tinha de sair”, disse. “Eles precisam agir nesta tarde para trazer outras forças militares para o lado do presidente interino.”

O senador republicano Marco Rubio endossou a fala do conselheiro em uma publicação nas redes sociais e acrescentou: “Vendo tuítes de apoio a Maduro de alguns oficiais de alta patente na Venezuela que estavam trabalhando para derrubá-lo. Sejam espertos, não atrasados.”

O enviado dos EUA à Venezuela, Elliott Abrams, afirmou que os três negociaram por um longo período para restaurar a democracia no país. “Mas parece que hoje estão dando para trás”, disse.

Bolton, Adams e Rubio não apresentaram evidências que provassem o compromisso dos três venezuelanos de abandonar o regime Maduro.

O embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, rejeitou as declarações de Bolton e as classificou como propaganda. O ministro de Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreaza, acusou os EUA de planejarem diretamente os atos desta terça para remover Maduro do poder. 

Também sem apresentar evidências, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse que Maduro estava pronto para deixar a Venezuela, mas que a Rússia o convenceu a desistir.

Pompeo, que deu as declarações em entrevista à CNN, afirmou que o ditador planejava fugir para Havana. 
O secretário de Estado se negou a fornecer a fonte dessas informações, mas disse que os Estados Unidos têm entrevistado “dezenas e dezenas de pessoas no país”, além de outros materiais.

A Casa Branca se negou a comentar se os Estados Unidos haviam sido consultados ou se sabiam previamente dos planos da oposição.

Carlos Vecchio, enviado do líder opositor Juan Guaidó em Washington, afirmou que os Estados Unidos não ajudaram no planejamento dos eventos desta terça-feira.

Após a escalada da crise, o governo americano ofereceu alívio nas sanções a aliados de Maduro que mudarem de lado e passarem a apoiar Guaidó.

O afrouxamento das sanções diplomáticas e econômicas inclui medidas impostas à PDVSA, petrolífera venezuelana que teve ativos bloqueados.

Com Marina Dias

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