Incêndio criminoso em estúdio de animação no Japão deixa ao menos 33 mortos

Suspeito, um homem de 41 anos, gritava 'morram' enquanto despejava combustível ao redor do prédio

Tóquio | AFP e Reuters

Ao menos 33 pessoas morreram e outras dezenas ficaram feridas nesta quinta-feira (18) em um incêndio de origem criminosa que destruiu um estúdio da Kyoto Animation, no oeste do Japão, no pior ataque do tipo no país em pelo menos duas décadas. 

Um homem gritava “morram” enquanto despejava o que parecia ser gasolina ao redor do prédio de três andares, afirmou a TV japonesa NHK. O suspeito, de 41 anos, foi detido pela polícia.

O premiê Shinzo Abe qualificou o ataque como “horrível demais para pôr em palavras” e ofereceu condolências. 

O suspeito, um homem de 41 anos, foi detido pela polícia e levado com queimaduras graves ao hospital. Em sua mochila, havia várias facas. Não há informações sobre as motivações para o ataque.

O fogo começou por volta de 10h30 de quinta (22h30 de quarta em Brasília). Havia cerca de 70 pessoas trabalhando no momento do ataque. Quase 50 caminhões de bombeiros foram enviados ao local para combater as chamas, que geraram grandes colunas de fumaça.

O estúdio foi criado em 1981. Cerca de 160 pessoas trabalham na empresa, que inclui uma escola de animação. Conhecido como KyoAmi, o local produz séries de sucesso para a TV, especialmente animes, como “Violet Evergarden”, disponível na Netflix. 

Uma campanha na internet iniciada por fãs do estúdio para arrecadar recursos para sua recuperar ultrapassou a meta de US$ 750 mil (R$ 2,8 milhões), alcançando uma arrecadação de mais de US$ 970 mil (R$ 3,6 milhões), com contribuições de 30.409 pessoas em 16 horas. 

“Tantas pessoas foram mortas ou feridas em um caso de incêndio criminoso em Kyoto. É tão terrível que não consigo encontrar o que dizer. Eu rezo por suas almas”, afirmou Abe em uma rede social.

No Japão, atear fogo a uma propriedade deliberadamente pode levar à pena de morte.

O último ataque de grandes proporções do tipo havia sido em 2001, quando um incêndio provocado em um clube de mahjong (um jogo de tabuleiro) em Tóquio deixou mais de 40 mortos.

O país possui um dos menores índices de crimes violentos entre os países desenvolvidos, mas alguns casos recentes tiveram repercussão internacional. 

Há cerca de dois meses, um homem atacou a facas um grupo de estudantes em um ponto de ônibus em Kawasaki, matando uma menina e o pai de outra e ferindo várias delas. 

Em 2016, um homem armado com uma faca invadiu uma instituição médica próximo a Tóquio e matou 19 pacientes.

Kyoto, a cerca de 450 km de Tóquio, é a antiga capital do Japão, e seus templos antigos atraem milhares de turistas todos os anos. 

Mortos foram encontrados em todos os andares do prédio, inclusive no próprio studio, e cerca de dez estavam nas escadas que levavam à cobertura.

Trinta e seis pessoas foram levadas a hospitais, dez delas com ferimentos graves. Na noite de quinta, os bombaieors haviam concluído as buscas de vítimas no edifício. 

“Estou de coração partido”, afirmou Hideaki Hatta, chefe executivo do studio. “É insuportável que pessoas que tenham ajudado a levar adiante a indústria de animação do Japão tenham perdido suas vidas dessa maneira.” 

“Tem uma enorme presença na animação aqui. Que tantas pessoas tenham morrido de uma vez será um grande golpe para a indústria de animação japonesa”, afirmou  o comentarista de cinema Yuichi Maeda, de Tóquio.

 
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