Macri assinará decreto sobre terrorismo em aniversário de atentado em Buenos Aires

Decisão cria sistema de registro de pessoas e entidades possivelmente ligadas a atos de terror

Sylvia Colombo
Santa Fé (Argentina)

No aniversário de 25 anos do atentado à Amia (Associação Mutual Israelita Argentina), nesta quinta-feira (18), o presidente argentino, Mauricio Macri, assinará um decreto que cria sistema de registro de pessoas e entidades possivelmente ligadas ao terrorismo. 

Também decreta luto nacional e classifica o Hizbullah, acusado pela Justiça argentina de ter participado do atentado, como uma organização terrorista. 

Equipes de resgate trabalham após a explosão da sede da Amia, em Buenos Aires, em 1994 - Julio Menajovsky - 18.jul.94/Reuters

O ataque à Amia deixou 85 mortos e centenas de feridos. Até hoje não foi totalmente esclarecido. Um dos mais letais atentados terroristas na América Latina, ocorreu apenas dois anos depois do ataque contra a embaixada de Israel, também em Buenos Aires, que matou 22 pessoas e feriu 350.

O edifício da Amia fica no bairro do Once, no centro de Buenos Aires. Na manhã do dia 18 de julho de 1994, uma van carregada com explosivos foi estacionada diante do edifício e detonada. O motorista também morreu.

Várias linhas de investigação foram seguidas desde então. A tese considerada mais provável pela Justiça argentina hoje é a de que o ataque teria sido organizado pelo Hizbullah junto com funcionários do governo iraniano e sócios argentinos. Esses funcionários iranianos têm um mandado de busca internacional e são procurados pela Interpol.

A cena do crime foi muito alterada logo após o ataque, por motivos também não esclarecidos, eliminando evidências que comprometem a elucidação completa do caso.

Como o presidente argentino à época era Carlos Menem (1989-1999), uma das hipóteses levantadas foi de que o atentado teria sido uma resposta à sua aproximação com os EUA. 

Também foi considerado, em certo momento, que o ataque poderia ter sido causado por terroristas sírios.

Outros obstáculos surgiram ao longo da investigação, como promotores afastados após a revelação de que haviam tentado subornar possíveis testemunhas. 

O mais recente revés no processo foi a morte do promotor Alberto Nisman, em 2015, até então responsável pelo caso e que preparava uma acusação contra a então presidente Cristina Kirchner de ter obstruído a ação da Justiça, com a intenção de firmar um tratado comercial com o Irã. 

Nisman foi encontrado morto um dia antes de apresentar a denúncia contra Cristina ao Congresso.

Sua morte tampouco foi esclarecida de modo conclusivo. A princípio, foi tratada como um suicídio pela promotora responsável pelo caso, uma vez que não se encontraram registros da entrada de outras pessoas em seu apartamento. 

Um laudo mais recente, porém, feito pela Gendarmeria a pedido do presidente Mauricio Macri, concluiu que, sim, Nisman teria sido assassinado. 

Ainda assim, não se chegou a nenhuma conclusão sobre quem teria sido o mandante. O caso segue sendo investigado.

Macri também participará, na sexta-feira (19), de homenagem às vítimas do atentado, acompanhado do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeu, que visitará a Argentina neste dia.

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