Mais de 1.300 são detidos em manifestação em Moscou por eleições livres

Oposição denuncia exclusão de candidaturas independentes nas eleições locais de setembro

Moscou | Reuters e AFP

A polícia russa prendeu 1.373 pessoas que participaram neste sábado (27) de uma manifestação em Moscou por eleições livres, de acordo com a ONG especializada no monitoramento de protestos OVD-Info.

Trata-se do maior número de detenções já registrado desde os protestos que se seguiram ao retorno de Vladimir Putin ao Kremlin em 2012, segundo a ONG.

De acordo com a polícia de Moscou, cerca de 3.500 pessoas, incluindo 700 jornalistas e blogueiros, acompanharam o ato no sábado.

Policiais prendem manifestante durante protesto em Moscou - REUTERS

A oposição denuncia a exclusão de candidaturas independentes nas eleições locais de 8 de setembro. Ativistas enxergam uma oportunidade de conseguir projeção na capital russa, onde os candidatos apoiados pelo Kremlin têm sido menos populares que em outras partes do país.

O protesto, diante da prefeitura de Moscou, aconteceu após uma manifestação que reuniu 22.000 pessoas no último domingo (21) —algo que também não se via desde 2012.

​Muitas prisões foram realizadas de forma violenta, e manifestantes foram feridos na cabeça.

A embaixada dos Estados Unidos na Rússia denunciou o uso "desproporcional da força policial". "A violência e as detenções minam o direito dos cidadãos a participarem do processo democrático", tuitou a porta-voz da embaixada, Andrea Kalan.

Em nota divulgada mais cedo neste domingo, a União Europeia (UE) também criticou a onda de detenções.

"Essas detenções e o uso desproporcional da força contra os manifestantes pacíficos (...) atentam, mais uma vez, gravemente, contra as liberdades fundamentais de expressão, de associação e de reunião", disse Maja Kocijancic, porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

"Esses direitos fundamentais estão inscritos na Constituição russa, e esperamos que sejam protegidos", reforçou a porta-voz, citada no comunicado.

A UE insistiu em que "se criem condições iguais" para todas as forças políticas. "Esperamos das autoridades da Federação Russa que respeitem seus compromissos com a OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) e as demais obrigações internacionais, quando organizarem as próximas eleições locais", completou a nota.

Na noite de sábado (27), a ONG Anistia Internacional denunciou o "uso excessivo da força" por parte da polícia e pediu a "libertação imediata de manifestantes pacíficos".

Pela manhã, antes do ato, vários opositores ao governo foram presos, e suas residências e locais de trabalho, revistados.

Policiais prendem manifestante durante protesto em Moscou - Kirill Kudryavtsev/AFP

O opositor Ilia Iashin anunciou uma "nova grande manifestação", em 3 de agosto, em Moscou.

Na última quarta-feira, o principal opositor ao Kremlin, Alexei Navalni, foi condenado a 30 dias de prisão por violação das "regras das manifestações".

Neste domingo (28), Navalni foi hospitalizado, devido a uma "grave reação alérgica", informou sua porta-voz, acrescentando que ele nunca teve nenhum tipo de alergia antes.

Essas ações judiciais se deram após a abertura de uma investigação por "obstaculização do trabalho da Comissão Eleitoral" de Moscou, durante manifestações em meados de julho.

O registro de cerca de 60 candidaturas às eleições do Parlamento de Moscou foi rejeitado, oficialmente, por causa de erros na coleta das assinaturas de apoio necessárias. 

Os candidatos da oposição excluídos denunciaram irregularidades e acusaram o prefeito Sergey Sobianin, alinhado ao governo central, de querer sufocar a oposição.

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