Furacão perde força e volta a ser tempestade tropical ao atingir Sul dos EUA

Ainda há risco de grandes inundações na região de Nova Orleans

Port Sulphur | AFP

O furacão Barry perdeu força e passou a ser uma tempestade tropical ao atingir a costa da Louisiana, nos EUA, neste sábado. O fenômeno também mudou de direção, rumo ao oeste, o que poderá poupar Nova Orleans de fortes inundações.

O NHC (Centro Nacional de Furacões), que havia classificado Barry como o primeiro furacão de 2019 na manhã de sábado (13), disse durante a tarde que a tempestade chegou à costa com ventos máximos de 115 km/h.

Robyn Iacona-Hilbert em frente à sua lanchonete, em Mandeville, Lousiana, alagada por causa da tempestade Barry - Jonathan Bachman/Reuters

A expectativa do NHC é que a tempestade siga perdendo força conforme se move pelo território dos EUA.

A ameaça de grandes inundações causadas pelo rio Mississipi parece ter passado, mas a tempestade pode ainda trazer enchentes perigosas para áreas costeiras ao sudoeste de Nova Orleans, Baton Rouge e Lafayette.

"A chuva segue a principal preocupação, ainda esperamos entre 250 e 380 mm de chuva com a possibilidade de quantidades altas e acumuladas", disse John Edwards, governador da Louisiana. "Cortes de energia serão significativos. Na verdade, eles já estão sendo significativos em algumas áreas do estado".

As companhias aéreas cancelaram voos e foram instaladas barragens contra inundações na região.

Barry havia sido elevado de tempestade tropical para furacão de categoria 1 na manhã deste sábado após o aumento na velocidade dos ventos, que alcançaram até 120 km/h, informou o NHC.

Para entrar na categoria um de furacões, os ventos devem ser de pelo menos 119 km/h.

Milhares de pessoas se aglomeraram e deixaram suas casas quando as inundações atingiram áreas de terras baixas, como a Paróquia de Plaquemines, onde o fechamento de estradas deixou algumas comunidades isoladas.

Dezenas de pessoas se refugiaram no auditório Belle Chasse de Plaquemines, enquanto outras foram para o interior para ficar com amigos ou familiares e evitar inundações nas áreas costeiras e fluviais.

O governador Edwards disse que a cidade de Nova Orleans está bem preparada para resistir à tempestade, mas pediu que moradores sejam vigilantes. Autoridades pediram às pessoas para ficarem longe das ruas.

"Ninguém deve encarar a tempestade de forma leve, peço a todos que se mantenham informados", disse Edwards em uma rede social.

Dada a ameaça de chuvas torrenciais, estados do Sul declararam estado de emergência, incluindo Louisiana, Mississipi, Alabama, Arkansas e Tennessee, para desbloquear fundos federais, a fim de resistir à tempestade.

A Louisiana enfrenta uma confluência perigosa de condições, dizem especialistas.

O nível do rio Mississipi, já maior devido a chuvas históricas e inundações, tinha 4,9 metros de altura em Nova Orleans.

Com previsão de chuvas entre 250 e 500 mm, o rio poderá quebrar o sistema de diques com mais de seis metros de altura que protege a cidade de 400 mil habitantes.

"Grande parte da Costa do Golfo, especialmente a Louisiana, já tem níveis extremamente altos de água e, portanto, chuvas fortes e qualquer possível tempestade levarão a inundações repentinas perigosas", disse Jill Trepanier, especialista da Universidade Estadual de Louisiana.

Mike Yenni, presidente da paróquia de Jefferson Parish, perto de Nova Orleans, disse que a comunidade tomou um passo sem precedentes de fechar centenas de diques, devido elevações quase históricas do rio Mississipi.

Autoridades fecharam rodovias em vários pontos ao longo da costa quando as águas da inundação começaram a se infiltrar.

O estado guarda a memória do devastador furacão Katrina (categoria 5) em agosto de 2005. À época, os diques que protegiam Nova Orleans sucumbiram à pressão da água, que inundou 80% da cidade e causou cerca de 1.800 mortes.

Mas, de acordo com a rede GSCC, que reúne profissionais do clima de todo o mundo, "o risco de Barry é diferente do de Katrina: em 2005 os diques da costa cederam e desta vez, eles serão testados ".

"A temperatura da superfície da água no Golfo do México está acima da média e fornece ao sistema a força para intensificar", disse Jill Trepanier, que estuda os fenômenos climáticos na Universidade de Louisiana.

Segundo ele, Barry é um novo exemplo de mudança climática.

"Uma temperatura do oceano quente e uma temperatura do ar acima da média são a receita para chuvas intensas, todas as condições acima da média são um sinal de mudança climática ", disse.

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