Manifestantes fazem ato em aeroporto de Hong Kong para sensibilizar turistas

Protestos no território chinês começaram há 2 meses, incentivados por polêmico projeto de lei de extradição

Hong Kong | AFP

Centenas de manifestantes antigoverno organizaram, nesta sexta-feira (9), um ato no aeroporto internacional de Hong Kong para sensibilizar os visitantes estrangeiros sobre os protestos, que começaram há dois meses. "Nós não somos agitadores, isso aqui é uma tirania", gritavam, alguns deles equipados com máscaras e capacetes.

A ação, que acontece no salão de desembarque do aeroporto, deve se repetir no sábado (10) e no domingo (11). Ela acontece menos de uma semana após uma greve geral que paralisou parte dos transportes, levou ao cancelamento de mais de 200 voos e gerou reflexos no mercado financeiro.

Vestidos de preto e com cartazes, manifestantes fazem ato no aeroporto internacional de Hong Kong
Vestidos de preto e com cartazes, manifestantes fazem ato no aeroporto internacional de Hong Kong - Anthony Wallace/AFP

Vestidos em sua maioria de preto, os manifestantes sentaram-se no chão na área de desembarque com faixas em chinês e inglês condenando a violência policial. "Salve Hong Kong da tirania e da brutalidade policial!", diz uma das faixas. 

 

A atual onda de protestos surgiu após o projeto de uma polêmica lei de extradições que permitiria o envio de condenados para a China para serem julgados por tribunais controlados pelo Partido Comunista, considerados menos justos do que os de Hong Kong, que detêm certa autonomia.

O projeto foi suspenso, mas os manifestantes continuam exigindo sua retirada final, bem como a renúncia da líder executiva local, Carrie Lam. 

Um dos objetivos do ato no aeroporto é divulgar as reivindicações no exterior, explicou um dos manifestantes que não quis se identificar por temer perseguição. 

Os manifestantes foram cuidadosos e deixaram vias livres para os passageiros que desembarcam, alguns dos quais gravaram o protesto em seus celulares e pegaram panfletos distribuídos pelos participantes do ato.

A megalópole do sul da China vem passando por sua maior crise política há dois meses, desde que foi entregue por Londres à China em 1997. 

Quase todas as manifestações diárias terminam em confrontos entre grupos radicais e a polícia. Os manifestantes disseram que não esperavam que a polícia usasse gás lacrimogêneo contra eles no aeroporto. Não havia presença policial ostensiva no aeroporto.

O órgão regulador de aviação da China pediu nesta sexta que a companhia aérea Cathay Pacific, de Hong Kong, suspenda seus funcionários que tenham se envolvido na onda de protestos de trabalharem em voos que adentrem o território da China continental a partir de sábado (10).

A tripulação da Cathay que se envolveu nos protestos representaria uma ameaça à segurança da aviação na China continental, segundo comunicado no site da Administração de Aviação Civil da China.

Na semana passada, um piloto da Cathay estava entre as 40 pessoas acusadas de tumulto por supostamente participar de confrontos violentos com a polícia perto do principal escritório de representação de Pequim na cidade.

Em resposta, um porta-voz da Cathay Pacific disse: "Recebemos a diretriz e estamos estudando-a com muito cuidado. Estamos tratando a questão com seriedade".

Alguns funcionários da Cathay estiveram no protesto de segunda (5), que fechou parcialmente o aeroporto e forçou o cancelamento de centenas de voos da companhia.

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