Descrição de chapéu Venezuela

Bancada chavista volta à Assembleia Nacional por ordem de Maduro

Ditadura não reconhece a Casa desde que Judiciário a declarou 'em desacato'

Sylvia Colombo
Buenos Aires

Em sua sessão desta terça-feira (24), a Assembleia Nacional da Venezuela, de maioria opositora e tida como “em desacato” pela ditadura de Nicolás Maduro, recebeu, depois de 29 meses, a presença dos deputados chavistas eleitos em 2015.

São 38 membros do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) que haviam abandonado o Parlamento a mando do ditador, em 2017, quando os opositores foram contra as eleições da Assembleia Nacional Constituinte, realizada em julho daquele ano.

Assembleia Nacional com vários deputados sentados; ao fundo, bandeira pede libertação de um deputado preso
Por ordem do ditador Nicolás Maduro, 38 deputados da Assembleia Nacional voltaram a participar da sessões da Casa - Reprodução/Assembleia Nacional da Venezuela

Agora, esses 38 parlamentares estão de volta, também por ordem de Maduro, embora a razão não seja clara.

O regime diz que o retorno dos deputados faz parte dos esforços de diálogo com a oposição, após o fim da negociação mediada pela Noruega em Barbados.

No entanto, a ditadura só está em contato com cinco partidos opositores de pequena projeção (e um total de sete deputados).

Por outro lado, parte da Assembleia Nacional interpreta esse retorno dos chavistas como uma tentativa de recuperar um espaço que haviam abandonado e de barrar iniciativas legislativas como o avanço das decisões em relação ao  Tiar (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca) e outros itens da agenda oposicionista.

O líder opositor Juan Guaidó pôs panos quentes à tensão que causou a entrada, por volta das 10h, dos deputados chavistas no prédio da Assembleia, no centro de Caracas.

Após a sessão, disse aos jornalistas locais que o retorno da bancada chavista desmonta o argumento de que Maduro não reconhece a Assembleia Nacional e que é mais um sinal de seu isolamento político.

Também afirmou que a agenda das discussões não mudará por conta da presença do bloco chavista.

"Seguiremos discutindo o Tiar, o governo de transição e a pressão pelas eleições livres para presidente, pois não reconhecemos as de maio de 2018.” 

Na ocasião, Maduro afirma ter sido reeleito, embora o pleito tenha apresentado várias irregularidades e não tenha sido reconhecido pela comunidade internacional.

Guaidó, porém, foi também reconciliador. “Se eles estão aqui para ajudar a resolver o problema da crise que afeta a todos os venezuelanos, são bem-vindos, afinal, foram eleitos numa eleição legítima, a de 2015.”

A sessão contou com cem congressistas da oposição e 38 chavistas.

Foi também a data da reincorporação do vice-presidente da casa, Edgar Zambrano, que estava preso desde maio numa penitenciária militar e foi liberado como "um gesto de boa vontade" do regime para promover o diálogo com opositores.

Zambrano também teve postura de de conciliação com os deputados chavistas. “Eles nunca deveriam ter ido, este é o espaço para a discussão e o debate político, e foram eleitos de forma legítima.”

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.