Ernesto troca reunião de Venezuela por encontro sobre liberdade religiosa com Trump

Chanceler não foi a cúpula do Grupo de Lima, mas deve participar de discussão sobre ativação do Tiar

Marina Dias Bruno Boghossian
Nova York

O chanceler Ernesto Araújo mudou a agenda de última hora nesta segunda-feira (23) e trocou uma reunião do Grupo de Lima, que trataria da crise da Venezuela, por um encontro sobre liberdade religiosa com a presença do presidente dos EUA, Donald Trump.

Ernesto estava escalado para representar o Brasil às 11h na Sala de Conferência 5 da ONU, na qual debateria com integrantes dos outros 13 países que formam o bloco saídas para resolver a crise que assola a Venezuela sob o regime de Nicolás Maduro.

O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, durante encontro com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, em Washington
O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, durante encontro com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, em Washington - Mandel Ngan - 13.set.19/AFP

Pouco antes do horário marcado, porém, Ernesto entrou na Sala de Conferência 8, praticamente em frente à que estava acontecendo o encontro do Grupo de Lima, e, de lá, acompanhou o discurso de Trump sobre religião.

“Os EUA são fundados nos princípios de que nossos direitos não vêm do governo, eles vêm de Deus”, afirmou o líder americano ao lado do vice, Mike Pence, e do secretário de Estado, Mike Pompeo.

Trinta minutos após a chegada de Trump ao encontro denominado “Chamada global para a proteção da liberdade religiosa”, o Itamaraty divulgou a atualização da agenda de Ernesto.

Segundo integrantes da comitiva brasileira, houve uma divisão de tarefas —o secretário responsável por Américas, Pedro Miguel, participou da reunião do Grupo de Lima no lugar de Ernesto—, visto que a liberdade religiosa é considerada um tema importante para o governo Bolsonaro.

Como mostrou a Folha, a Aliança Internacional para Liberdade Religiosa era um dos principais assuntos do encontro do chanceler com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, há duas semanas, em Washington.

Os Estados Unidos apostam na aliança como um dos pilares de sua política externa, e o Brasil deve ser um dos membros fundadores do órgão.

A cooperação contra discriminação religiosa é considerada ponto-chave da parceria estratégica entre os dois países. A iniciativa visa a defender todas as religiões, mas o tema foi abraçado especialmente por evangélicos e católicos mais atuantes.

Sobre o encontro do Grupo de Lima, por sua vez, o Planalto não tinha grandes expectativas. Ainda nesta segunda, Ernesto vai participar de outra reunião sobre Venezuela, para ver se o TIAR (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca) será acionado.

No limite, o tratado poderia autorizar uma intervenção militar na Venezuela, apesar de o governo brasileiro já ter declarado que se opõe a esse ponto

 
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