Netanyahu cogitou bombardear Faixa de Gaza e adiar eleições, diz jornal israelense

Premiê teria voltado atrás após ser alertado que ataque exigiria consulta ao gabinete de segurança

São Paulo

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin ​Netanyahu, cogitou bombardear a Faixa de Gaza e adiar o processo eleitoral, que será realizado nesta terça (17), segundo o jornal Haaretz.

A guerra viria num momento em que o premiê vê seu partido, o Likud, empatado com o opositor Azul e Branco em pesquisas de intenção de voto.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, em Hebron, na Cisjordânia, nesta segunda (16) - Ronen Zvulun/Reuters

De acordo com o relatório obtido pela publicação israelense e publicado nesta segunda (16), o chefe da Segurança Nacional, Meir Ben-Shabbat, reuniu-se com o chefe do Comitê Central de Eleições, Hanan Melcer, na última semana para avisá-lo que as eleições poderiam ser adiadas em função de uma guerra iminente na Faixa de Gaza —tamanha a confiança no plano.

O ataque seria uma reposta de Israel ao lançamento de foguetes contra a cidade de Ashdod por grupos palestinos de Gaza. No dia do ocorrido, o premiê fazia um ato de campanha no local e foi retirado às pressas por seguranças.

Outro foguete foi disparado contra a cidade de Ashkelon na mesma noite.

O plano de bombardear a Faixa de Gaza só teria sido descartado por Netanyahu depois de ter sido alertado pelo procurador-geral da Justiça de Israel, Avichai Mandelblit, que as leis exigem consulta ao gabinete de segurança israelense antes de iniciar qualquer operação militar que possa resultar em guerra. 

No Twitter, Benny Gantz, líder do partido Azul e Branco e principal rival de Netanyahu nas eleições, acusou o primeiro-ministro de usar a segurança dos israelenses para fazer política e adiar o pleito desta terça.

"Um roteiro que se encaixa em 'House of Cards', não no Estado de Israel", disse Gantz, em referência ao seriado da Netflix.

No dia 10 deste mês, o premiê anunciou a intenção de anexar as 23 colônias israelenses no vale do Jordão e ao norte do mar Morto (Cisjordânia), onde moram 8.000 israelenses. Ele havia feito o mesmo às vésperas da eleição em abril, quando prometeu anexar os assentamentos na Cisjordânia.

A proposta daria ao país "fronteiras permanentes e seguras" pela primeira vez na história, segundo o premiê, mas também poderia causar problemas com os vizinhos árabes, já que reduziria o território palestino a um enclave cercado por terras israelenses. 

Em suas ofensivas para tentar recuperar sua imagem de "Sr. Segurança", Netanyahu também publicou recentemente em uma rede social —e depois negou ter escrito ele mesmo— postagem afirmando que os árabes-israelenses (20% da população do país) “querem nos exterminar”.

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