Taleban faz ataques durante eleição no Afeganistão, mas em escala menor do que o previsto

Grupo atacou centros de votação ao redor do país e matou ao menos cinco pessoas

Cabul | Reuters e AFP

A eleição presidencial no Afeganistão foi realizada neste sábado (28) sob forte temor de que o Taleban faria grandes atentados contra os locais de votação. 

O grupo realizou diversos ataques, mas em escala menor do que se temia. O governo confirmou cinco mortes, de membros das forças de segurança, e registrou 37 feridos nessas ações. O número de vítimas ainda pode aumentar.

"Contabilizamos cinco mártires (mortos) nas forças de segurança e 37 feridos entre os civis", informou o ministro do Interior, Masud Andarabi.

"Houve menos ataques do inimigo em comparação com as eleições anteriores", acrescentou o ministro da Defesa, Asadullah Khlaid, em referência às 60 mortes durante as eleições legislativas de 2018.

Antes do pleito, o Taleban fez fortes ameaças contra as pessoas que fossem votar, para tentar dissuadir os 9,6 milhões de eleitores de ir às urnas. Houve também diversos ataques durante eventos de campanha, que deixaram dezenas de mortos. 

O ministério do Interior anunciou o envio de 72 mil homens para monitorar os quase 5.000 centros eleitorais em todo o país, que abriram às 7h (23h30 de sexta no horário de Brasília) e fecharam por volta das 17h, duas horas após o previsto inicialmente, para compensar o atraso na abertura de alguns locais.

Membro das forças de segurança do Afeganistão revista eleitor em Jalalabad, neste sábado (28)
Membro das forças de segurança do Afeganistão revista eleitor em Jalalabad, neste sábado (28) - Parwiz/Reuters

Os principais candidatos, entre os 18 postulantes, são o atual presidente, Ashraf Ghani, 70, e Abdullah Abdullah, 59, primeiro-ministro do país.

A expectativa é que Ghani vença no primeiro turno, mas os opositores o acusaram de comprar votos e de cometer outros abusos, o que ele e seus porta-vozes negam.

A campanha de Abdullah fez ataques ao presidente, pintando-o como um líder distante e egocêntrico que enganou e decepcionou o público.

Os resultados preliminares devem ser anunciados só depois de 17 de outubro e a apuração final, após 7 de novembro. Se nenhum dos candidatos conseguir ao menos 51% dos votos, haverá segundo turno, com os dois mais votados.

A eleição ocorre semanas após a suspensão de conversas sobre um acordo de paz entre o Taleban, o governo afegão e os Estados Unidos.

No início do mês, o presidente Donald Trump cancelou um encontro que seria realizado nos EUA porque o grupo seguiu realizando ataques durante as negociações. 

Nova tecnologia nas urnas

De acordo com os observadores, os equipamentos com biometria usados neste pleito para evitar fraudes tiveram desempenho melhor do que na eleição parlamentar de outubro do ano passado. Ainda assim, os eleitores tiveram que esperar em longas filas para registrar seu voto para presidente.

"O primeiro eleitor teve que esperar 31 minutos. Os seguintes levaram cerca de cinco minutos para votar e, em seguida, o tempo variou entre três minutos e 30 segundos", disse Nishank Motwani, que monitorou locais de votação em Cabul. 

"As equipes pareciam em pânico e as pessoas estavam ficando nervosas porque as filas não se moviam", acrescentou. 

A Comissão Eleitoral Independente (IEC, na sigla em inglês) optou por usar as máquinas novamente, mas, desta vez, investiu mais no treinamento das equipes que as operariam e enviou baterias extras. O Afeganistão sofre com cortes de energia frequentes.

Cada centro de votação tinha um desses equipamentos, além de formulários de papel de reserva.

"A tecnologia melhorou um pouco, assim, não foi tão ruim quanto na eleição parlamentar", afirmou Naem Ayubzada, diretor da Fundação Eleição Transparente, que monitorou centros em 34 províncias do país.

Segundo ele, ainda assim, as máquinas levaram até dez minutos para reconhecer um eleitor.

O equipamento, fabricado pela companhia alemã Dermalog Identification Systems, usa digitais e fotos para reconhecimento. 

Hawa Alam Nuristani, diretor do IEC, afirmou que quaisquer problemas com as máquinas serão tratados no futuro. Representantes da Dermalog não foram encontrados para comentar as supostas falhas.

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