Procuradoria investiga advogado de Trump por lobby na Ucrânia

Rudolph Giuliani teria tentado enfraquecer embaixadora americana no país, removida do cargo em maio

Washington | The New York Times

Procuradores de Nova York investigam se o advogado pessoal do presidente Donald Trump, Rudolph Giuliani, violou leis de influência em sua atuação na Ucrânia.

A investigação se debruça sobre os possíveis esforços de Giuliani em enfraquecer a embaixadora americana no país, Marie Yovanovitch. Ela foi removida do cargo abruptamente em maio, meses antes do previsto.

O advogado entrou na mira da Procuradoria pelo fato de dois empresários estrangeiros ligados a ele terem sido presos na quarta (10), em um esquema de direcionamento ilegal de dinheiro para um comitê eleitoral pró-Trump.

O advogado pessoal de Donald Trump, Rudolph Giuliani - Mike Segar/Reuters

Os empresários também são acusados de direcionar contribuições ilegais para um congressista cuja ajuda eles precisavam para tirar Yovanovitch de seu posto na Ucrânia. 

Giuliani negou que tenha cometido qualquer irregularidade, embora reconheça que ele e seus auxiliares tenham trabalhado junto a promotores ucranianos para coletar informações potencialmente prejudiciais à embaixadora.

O trio também teria tentado prejudicar Joe Biden e seu filho Hunter Biden —o democrata é o provável oponente de Trump nas eleições presidenciais de 2020.

Giuliani teria então compartilhado o material coletado com oficiais norte-americanos e com um colunista favorável a Trump na tentativa de minar a embaixadora e os alvos políticos do presidente norte-americano.

A lei federal exige que os cidadãos norte-americanos divulguem ao Departamento de Justiça qualquer contato com o governo ou a mídia nos Estados Unidos que tenha acontecido sob a solicitação de políticos estrangeiros.

De acordo com a polícia, a influência estrangeira secreta é uma ameaça tão grave quanto espiões tentarem roubar informações sigilosas do governo.

A investigação criminal de Giuliani piora o cenário do processo de impeachment de Trump, pois as relações do presidente com a Ucrânia foram o estopim para a abertura do inquérito de impedimento contra ele. 

É também uma grande virada para Giuliani, que agora se encontra sob escrutínio do mesmo escritório de advocacia que liderou na década de 1980, quando ganhou destaque como promotor, sendo eleito mais tarde para dois mandatos como prefeito de Nova York.

Não se sabe o quanto a investigação progrediu até o momento. 

Giuliani disse que os procuradores não têm motivos para acusá-lo por violações de divulgação de lobby estrangeiro.

Ele afirmou que estava agindo em nome de Trump, não do promotor ucraniano Yuriy Lutsenko, quando coletou as informações sobre Yovanovitch e os oponentes de Trump e as transmitiu ao governo americano e à mídia.

Yovanovitch disse aos investigadores do inquérito de impeachment na sexta-feira (11) que Trump pressionou por sua remoção durante meses, mesmo que o Departamento de Estado acreditasse que ela não estava fazendo nada de errado.

​​Giuliani saiu dos holofotes nos últimos anos enquanto construía um negócio de consultoria internacional, que incluía trabalhos na Ucrânia. Mas ele ressurgiu no centro da arena política no ano passado, quando Trump o contratou para trabalhar em uma investigação sobre a interferência russa nas eleições.

A sabotagem da Rússia também deu início a uma mudança no Departamento de Justiça em relação à aplicação das leis que regulam a influência estrangeira —as normativas, sob as quais Giuliani está sendo investigado, permaneceram inativas por meio século.

Michael S. Schmidt, Ben Protess , Kenneth P. Vogel e William K. Hashbaun
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