Descrição de chapéu The New York Times

Aliado mentiu sobre envolvimento com WikiLeaks para proteger Trump, diz promotor

Roger Stone encobriu tentativas de contatar site que divulgou emails de Hillary Clinton

Washington | The New York Times

Um promotor federal dos Estados Unidos acusou na quarta-feira (6) o aliado de Donald Trump, Roger Stone de mentir várias vezes a uma comissão do Congresso sobre suas tentativas de entrar em contato com o WikiLeaks durante a eleição presidencial de 2016.

Em seu pronunciamento inicial no julgamento de Stone no tribunal federal em Washington, o promotor Aaron Zelinsky prometeu aos jurados que um vasto conjunto de evidências documentais, reforçadas por depoimentos de testemunhas, incluindo o ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon, provariam a culpa de Stone.

Roger Stone e sua esposa, Nydia Stone, chegam à audiência do processo contra ele em Washington, nos EUA
Roger Stone e sua esposa, Nydia Stone, chegam à audiência do processo contra ele em Washington, nos EUA - Tom Brenner - 6.nov.2016/Reuters

Em um esboço dos argumentos da acusação, o promotor pintou um retrato de Stone como um "trapaceiro sujo" que tentou ajudar a campanha de Trump por meio de acordos furtivos e subterfúgios, e depois ocultando seu trabalho.

O processo é um dos poucos casos ainda pendentes que se originaram na investigação do procurador especial Robert Mueller.

A promotoria afirmou que Stone ameaçou repetidamente uma testemunha que lutava contra o alcoolismo na tentativa de encobrir seus esforços para determinar se o WikiLeaks possuía informações que prejudicariam a adversária eleitoral de Trump, Hillary Clinton.

Stone também teria ocultado centenas de mensagens de texto e emails que teriam exposto suas investidas para contatar o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, e transmitir informações a altos assessores de Trump.

Em agosto de 2016, Stone escreveu a Paul Manafort, então presidente da campanha do republicano, que ele tinha uma ideia para salvar Trump, mas que ela "não é bonita".

Zelinsky também disse que, no verão de 2016, enquanto Stone tentava contatar o WikiLeaks, ele conversou duas vezes ao telefone com Trump, embora tenha dito que não se sabe quais assuntos foram tratados. 

Stone, um ex-assessor da campanha de Trump e amigo do presidente há 40 anos, é acusado de sete crimes, incluindo obstrução de Justiça, declarações falsas e manipulação de uma testemunha.

O caso gira principalmente em torno de seu depoimento à Comissão de Inteligência da Câmara em setembro de 2017, quando o órgão investigava a interferência russa nas eleições de 2016.

A mesma Comissão hoje conduz o inquérito de impeachment sobre se Trump pressionou o presidente da Ucrânia neste ano para iniciar investigações que poderiam ajudá-lo politicamente nas eleições de 2020. 

Os congressistas se concentravam no envolvimento do WikiLeaks porque o site era o repositório de milhares de emails e outros documentos que agentes russos roubaram das redes de computadores democrata para aumentar as chances de vitória de Trump.

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