Pressionado por protestos, Piñera diz estar disposto a mudar Constituição do Chile

Em mudança de posição, presidente afirma que governo enviará projeto ao Congresso

Santiago | AFP

Pressionado pela onda de protestos no Chile, o presidente Sebastián Piñera reafirmou neste sábado (9) estar aberto a uma proposta de reformar a Constituição promulgada durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). "Acredito nas mudanças da Constituição, que são legítimas e vamos discuti-las. De fato estamos preparando um projeto para poder atualizar a Constituição", disse Piñera em uma entrevista ao jornal El Mercurio.

Segundo ele, as mudanças terão de ser "mais profundas e mais intensas do que pensava há alguns anos". Ele preferiu não estipular prazos de quando enviará a proposta ao Congresso, única instância com poder para alterar a Carta.

Bandeira gigante do Chile é estendida por manifestantes em ato em Santiago, na sexta-feira (8) - Martin Bernetii/AFP

Entre as alterações previstas no projeto, segundo Piñera, estão "definir melhor os direitos das pessoas", "as obrigações do Estado" e a criação de "melhores mecanismos de participação" da população.

A posiçãode Piñera marca uma inflexão em sua Presidência. Logo após ter tomado posse, em março do ano passado, ele anunciou que não permitiria avançar um projeto de lei que sua antecessora, a socialista Michelle Bachelet, havia enviado ao Legislativo para modificar a Constituição. O texto consagrava a inviolabilidade dos direitos humanos, o direito à saúde e à educação e a igualdade salarial entre homens e mulheres.

Agora, em meio aos distúrbios que o país vem registrando, ele disse que sua proposta constitucional deve ser debatida junto com o projeto de Bachelet e e outros que venham a surgir.

Apesar dos acenos do presidente aos manifestantes, os protestos continuam intensos. O Ministério do Interior divulgou neste sábado (9) um balanço da mobilização ocorrida na véspera no centro de Santiago e informou que cerca de cem pessoas ficaram feridas, entre policiais e civis, e em torno de 400 foram presas. A sede de uma universidade pegou fogo, e um grupo saqueou uma igreja histórica e usou o mobiliário para acender barricadas.  

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