Bolsonaro diz que Argentina perde mais em rompimento com Brasil

Presidente defendeu a necessidade de honrar contratos e manter relação pragmática

Brasília

Na véspera do encontro de chefes de Estado na cúpula do Mercosul, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira (4) que a Argentina sofrerá mais prejuízos que o Brasil caso decida romper acordos comerciais entre os países.

No Palácio do Alvorada, onde parou para cumprimentar um grupo de apoiadores, ele disse que, apesar de não ter uma afinidade ideológica com o governo eleito no país vizinho, não rasgará contratos e manterá uma relação pragmática com a Argentina.

O presidente Jair Bolsonaro durante evento no Palácio do Planalto
O presidente Jair Bolsonaro durante evento no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira - 3.dez.19/Folhapress

​"A Argentina deu uma guinada para a esquerda. A gente vai para o pragmatismo. A gente brigando, a Argentina perde muito mais. Mas eu não quero perder um dedinho. E vamos continuar fazendo negócios", disse.

Bolsonaro disse que o país vizinho passa por uma situação econômica "complicadíssima" e criticou a possibilidade de o Banco Central da Argentina emitir papel-moeda diante de um quadro de crise.

"Nós temos de honrar contratos. Não podemos rasgar acordos, porque perdemos credibilidade", disse.

O presidente ressaltou que não sairá da reunião do bloco econômico, na quinta-feira (5), em Bento Gonçalves (RS), de "mãos vazias". Ele citou, por exemplo, a possibilidade de fechar o acordo automotivo com o Paraguai.

A iniciativa incluiria na união aduaneira uma das únicas cadeias produtivas que atualmente estão fora do regime especial.

Como o setor automotivo não foi inserido nas regras comerciais do Mercosul, foram assinados tratados bilaterais entre os governos de Brasil, Argentina e Uruguai. 

Embora seja visto como uma prioridade para corrigir um desequilíbrio no bloco, o acordo automotivo ainda enfrenta dificuldades pela resistência do Paraguai em ceder em itens da pauta brasileira.

Entre eles, o pleito de que qualquer tratado inclua um compromisso de que Assunção deixará de importar carros usados, que compõem hoje boa parte da frota paraguaia.

 

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