Chanceler de Maduro critica Brasil por refúgio a militares venezuelanos

Jorge Arreaza acusa o vizinho de ser 'cúmplice de atividades armadas'

Brasília

O governo do ditador Nicolás Maduro criticou a decisão do Brasil de não devolver à Venezuela os cinco militares venezuelanos localizados na fronteira dos dois países, em Roraima, no dia 26 de dezembro.

No sábado (28), o Itamaraty e o Ministério da Defesa disseram que os cinco militares venezuelanos "iniciarão os procedimentos para a solicitação de refúgio no Brasil".

Em resposta, o chanceler chavista Jorge Arreaza divulgou um comunicado em que diz que o governo bolivariano "rechaça categoricamente" a concessão de refúgio aos militares e afirma que a decisão da administração Jair Bolsonaro "confirma o padrão de proteção e cumplicidade de governos satélites dos Estados Unidos para agredir a paz na Venezuela".

Caracas acusa os cinco militares de participarem de um ataque armado, ocorrido no último domingo (22), ao Batalhão de Infantaria de Selva Mariano Montilla, na localidade de Luepa, perto da fronteira que divide os dois países. Segundo o governo chavista, um membro das forças armadas bolivarianas morreu durante o episódio.

Fronteira do Brasil e da Venezuela, entre as cidades de Pacaraima e Santa Elena de Uairen - Bruno Mancinelle/AFP

O governo Maduro diz que o grupo localizado em território brasileiro estava sendo perseguido quando cruzou a fronteira. Aliados do ditador também afirmaram que participantes do ataque à base militar ficaram hospedados por 15 dias em um hotel em Pacaraima, do lado brasileiro da fronteira —o governo Bolsonaro nega qualquer envolvimento no caso.

Na nota divulgada neste domingo (29), a chancelaria chavista acusa o Brasil de ser "cúmplice de atividades armadas contra países vizinhos e protetor dos delinquentes e mercenários que as protagonizaram".

"Ao conceder refúgio em casos não contemplados nas convenções internacionais correspondentes, a República Federativa do Brasil não só desrespeita o direito internacional humanitário, como estabelece perigosos precedentes de proteção a pessoas que cometeram delitos flagrantes contra a paz e a estabilidade de outro Estado", diz o comunicado.

Por último, o governo bolivariano declara que continuará exigindo a devolução dos militares e que denunciará a posição adotada pelo Brasil nas "instâncias internacionais pertinentes".

A Venezuela convive há anos com uma grave crise econômica e política. Desde janeiro de 2019, o governo Bolsonaro reconhece o líder opositor Juan Guaidó como presidente encarregado do país vizinho.

Apesar do gesto diplomático brasileiro, na prática Maduro segue controlando o território e as forças armadas na Venezuela. A relação do governo Bolsonaro com o regime chavista atingiu o ponto mais crítico no final de fevereiro, quando Maduro ordenou o fechamento da fronteira entre Pacaraima e Santa Elena de Uairén. A passagem entre os dois países ficou fechada por quase três meses.

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