Governo interino da Bolívia corta relações diplomáticas com Cuba

Ministro cubano das Relações Exteriores chamou presidente boliviana de 'golpista autoproclamada'

La Paz | Reuters

O governo interino da Bolívia suspendeu nesta sexta (24) suas relações diplomáticas com Cuba.

O rompimento acontece depois de o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, chamar a presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, de "golpista autoproclamada".

Com a renúncia de Evo Morales, em novembro, a hoje ex-senadora passou a ocupar a Presidência do país.

O processo de sucessão, no entanto, deu-se a partir de uma interpretação controversa da Constituição e do regimento do Senado, o que abriu espaço para críticas e acusações de golpe de Estado.

Em nota, o Ministério de Relações Exteriores da Bolívia citou como fatores que levaram ao rompimento "a hostilidade permanente e os atritos constantes de Cuba contra o governo constitucional boliviano e seu processo democrático".

O imbróglio entre os dois países começou em novembro, logo após a saída de Evo, quando Parilla anunciou o fim da missão médica cubana na Bolívia. Segundo ele, o governo interino tratou mal os profissionais da ilha e alegou que eles estariam instigando protestos.

Na época, a chanceler da Bolívia disse que "houve um grande número de denúncias sobre o envolvimento de cidadãos cubanos em atos agressivos, que atormentaram nosso país nos últimos dias".

O debate foi revivido nesta quarta (22) por Áñez. Ela, que tem buscando se alinhar aos Estados Unidos, afirmou que o governo cubano retinha 80% do dinheiro que a Bolívia pagava aos médicos cubanos no país.

A presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, cumprimenta o diplomata americano David Hale no palácio presidencial em La Paz, Bolívia, - David Mercado - 21.jan.2020/Reuters

Disse ainda que um terço dos cubanos que vieram à Bolívia como parte do programa de saúde não têm experiência na área. No Twitter, Parrilla chamou os comentários de "mentiras vulgares" e acusou Áñez de ter chegado ao poder por meio de um golpe de Estado.

O líder cocaleiro, que governou a Bolívia por 13 anos, saiu do país depois que uma auditoria realizada pela OEA (Organização dos Estados Americanos) sobre a contagem de votos da última eleição apontou irregularidades naquela que seria sua terceira reeleição presidencial.

Evo nega que a contagem estivesse equivocada e diz ter sido vítima de um golpe de Estado. Ele, que comemorou o aniversário de sua primeira eleição na quarta (22), em Buenos Aires, onde se refugiou, critica com frequência o governo interino boliviano no Twitter. 

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