EUA acusam hackers militares chineses de roubo de dados de 150 milhões de pessoas

Procurador-geral anunciou acusações contra 4 membros do Exército de Libertação Popular por ação em 2017

Washington | Reuters

Os Estados Unidos acusaram hackers militares chineses pela invasão de 2017 aos dados da agência de relatórios de crédito Equifax, numa ação que afetou quase 150 milhões de cidadãos americanos, afirmou o procurador-geral William Barr nesta segunda-feira (10). 

"Foi uma violação deliberada e abrangente das informações privadas do povo americano", disse Barr ao anunciar as acusações contra quatro membros do Exército de Libertação Popular da China em conexão com uma das maiores quebras de dados da história dos EUA. 

A Embaixada da China em Washington não respondeu a um pedido de comentário. 

O procurador-geral dos EUA William Barr durante entrevista coletiva para anunciar acusações contra hackers militares chineses
O procurador-geral dos EUA William Barr durante entrevista coletiva para anunciar acusações contra hackers militares chineses - Sarah Silbiger/Getty Images/AFP

O anúncio é o mais recente de uma campanha agressiva das autoridades americanas para eliminar operações chinesas de espionagem nos Estados Unidos.

Desde que os EUA voltaram sua atenção para a China, em 2018, um grupo crescente de funcionários do governo, empresários e acadêmicos chineses que buscam segredos americanos foram apanhados. 

Aproximadamente 147 milhões de pessoas tiveram informações, incluindo números do seguro social americano, datas de nascimento e dados da carteira de motorista, comprometidas pela violação da Equifax. 

Os hackers passaram semanas no sistema, invadindo redes de computadores, roubando segredos da empresa e dados pessoais.

Eles direcionaram o tráfego por meio de 34 servidores localizados em quase 20 países para ofuscar sua verdadeira localização. 

Autoridades dos EUA disseram que hackers chineses também estavam por trás de uma violação enorme no Gabinete de Gestão de Pessoal, ação que veio à tona em 2015 e envolveu o comprometimento de dados pessoais confidenciais enviados pelos solicitantes de autorizações de segurança do governo dos EUA. 

Essa violação expôs os nomes, números do seguro social e endereços de mais de 22 milhões de funcionários e terceirizados federais atuais e antigos dos EUA, além de 5,6 milhões de impressões digitais. 

O senador Ben Sasse, um membro republicano do Comitê Selecionado de Inteligência do Senado, pediu ações mais duras para combater os hackers chineses. 

"O Partido Comunista Chinês não deixará pedra sobre pedra em seus esforços para roubar e explorar dados americanos. Essas acusações são boas notícias, mas temos que fazer mais para proteger os dados dos americanos das operações de influência do Partido Comunista Chinês", disse. 

A violação de dados da Equifax, por ser muito grande e envolver tantas informações financeiras confidenciais de tantos americanos, teve implicações de longo alcance ao setor de crédito ao consumidor. 

A empresa concordou em pagar até US$ 700 milhões em acordos de indenizações para alegações de que infringiu a lei durante a violação de dados e reembolsos a consumidores prejudicados. 

O escândalo causou uma crise na empresa, resultando na saída de seu então CEO, Richard Smith, e em várias audiências no Congresso, devido à demora da empresa em divulgar a violação, e as práticas de segurança foram contestadas pelos legisladores. 

Legisladores e grupos de consumidores questionaram como empresas privadas poderiam reunir tantos dados pessoais, desencadeando esforços para reforçar a autoridade dos consumidores de controlar suas informações.

Os Comitês de Serviços Financeiros do Senado e da Câmara dos Deputados estão considerando uma legislação que exigiria que as empresas protegessem melhor os dados dos consumidores. 

Tradução de AGFox  

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