Descrição de chapéu Diplomacia Brasileira

Em fala sobre 2ª Guerra ao Conselho de Segurança da ONU, Ernesto ataca multilateralismo

Ministro defendeu 'sentimento nacionalista' e relembrou a participação brasileira no conflito

São Paulo

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, criticou o multilateralismo e defendeu o "sentimento nacional" durante uma sessão informal do Conselho de Segurança da ONU para marcar os 75 anos do fim da Segunda Guerra Mundial nesta sexta-feira (8).

"Penso que devemos evitar a palavra multilateralismo para falar sobre instituições internacionais e multilaterais. [...] Palavras que terminam em 'ismo' normalmente designam ideologias, como fascismo, nazismo, comunismo. Vamos não fazer do multilateralismo outra ideologia", disse ele no encontro, que foi realizado por vídeoconferência.

O ministro afirmou ainda que o oposto de todas as ideologias não é outra ideologia. "O oposto de todas as ideologias é a liberdade. Observem que não dizemos 'liberdadismo', dizemos liberdade."

"Não nos deixemos cair no erro de atacar aqueles que defendem a soberania nem desprezar aqueles que defendem o sentimento nacional", disse.

A fala de Ernesto seguiu um tom parecido ao de outros pronunciamentos do chanceler, que costuma criticar instituições internacionais e promover valores como soberania e nacionalismo.

Assim como diplomatas e líderes que participaram da sessão, o ministro descreveu a pandemia da Covid-19 como a maior crise enfrentada pela comunidade internacional desde a Segunda Guerra.

Sem citar nominalmente o comunismo, Ernesto alertou que a ideologia totalitária surgida após o conflito não morreu. Para ele, a doutrina tentou sequestrar e perverter causas como direitos humanos, justiça e ambientalismo, além de tentar "manipular a ONU a seu favor".

Ernesto afirmou ainda que, no contexto da crise do coronavírus, as Nações Unidas deveriam ser um espaço de coordenação entre os países, e não um instrumento para substituir os Estados.

"Se a ONU ignorar os desafios reais de hoje e, em vez disso, optar por bobagens politicamente corretas, seu papel será reduzido. [...] As nações não são o problema, são os bons moços neste cenário", disse.

O ministro também relembrou em sua fala a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial —o país enviou cerca de 25 mil militares para combater ao lado dos Aliados.

"O Brasil desempenhou um papel importante no esforço de guerra [...]. Nós ajudamos a libertar a Itália, e, logo, a Europa da tirania fascista, o que é talvez o maior prêmio do país."

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