Pesquisas mostram Biden com vantagem menor do que Hillary em 2016

Democrata aposta em eleitores da base de Trump para tentar evitar nova reviravolta em novembro

Washington e São Paulo

Adversário de Donald Trump na disputa à Casa Branca, Joe Biden lidera pesquisas nacionais e em estados decisivos, mas sua vantagem sobre o presidente é menor do que a de Hillary Clinton no mesmo período de 2016.

O ex-vice-presidente não quer repetir a reviravolta que levou à traumática derrota da colega de partido há quatro anos e aposta na tração que tem ganhado entre eleitores da base de Trump para tentar devolver aos democratas a Presidência dos EUA.

O candidato Joe Biden discursa em evento em Darby, na Pensilvânia - Jonathan Ernst - 17.jun.2020/Reuters

Segundo levantamento do DeltaFolha considerando as pesquisas feitas no mês junho, Biden supera Trump em 6,8 pontos percentuais na média das pesquisas nacionais, mas esse índice ainda é 1,8 ponto menor do que Hillary registrava sobre o republicano no mesmo período da corrida eleitoral, entre 155 e 138 dias da eleição.

Em estados considerados chave para novembro, como Pensilvânia, Wisconsin e Flórida, Biden também aparece na frente de Trump, mas, ao contrário de Hillary, que abria até 10,7 pontos de diferença do adversário nessas regiões em junho, a margem do ex-vice de Obama é mais apertada e chega, no máximo, a 6,3 pontos.

O DeltaFolha analisou a média dos números nacionais e em seis estados que estão entre os mais importantes da corrida presidencial —Arizona, Iowa, Carolina do Norte, Pensilvânia, Wisconsin e Flórida.

Foram escolhidos apenas os que tinham ao menos três pesquisas publicadas em junho de 2016 e em junho de 2020 para efeitos de comparação.

Dos seis estados pesquisados, Hillary só aparecia atrás de Trump no Arizona a cinco meses da eleição. Otimista com os números, deixou de fazer campanha em vários deles e, em novembro, não se viu na dianteira nem mesmo na Flórida, onde tinha mais de dez pontos de vantagem sobre Trump no meio do ano.

A democrata ganhou no voto popular (48% a 45,9%), mas isso não é suficiente no sistema eleitoral americano, de voto indireto, via Colégio Eleitoral, no qual os chamados estados-pêndulo —sem tradição republicana ou democrata— têm mais peso na disputa.

Segundo auxiliares de campanha, Biden aprendeu com erros de Hillary em 2016 e sabe que precisa motivar eleitores desses estados a votarem nele em novembro.

Apesar do pior desempenho em relação à democrata para o mês de junho, analistas afirmam que o ex-vice de Obama tem construído uma vantagem que cresce de forma mais sólida, com um elemento fundamental.

Biden tem ampliado seu apoio entre mulheres, que representam 55% dos que votam nos EUA, e entre brancos pouco escolarizados, que foram decisivos para a eleição de Trump em 2016.

Entre as mulheres, Biden está 25 pontos à frente do presidente —eram 19 em abril. Em 2016, Hillary superou o republicano entre elas por apenas 14 pontos.

A margem de Trump sobre Biden entre eleitores brancos e sem diploma ainda é expressiva, mas caiu dez pontos nas últimas semanas: a diferença foi de 31 para 21 pontos.

O presidente tem perdido apoio entre todos os americanos —sua popularidade despencou de 49% para 39% em um mês. Mas, se olhados de perto, os dados são ainda mais alarmantes, porque revelam a erosão de parte importante de sua base.

Trump caiu sete pontos entre republicanos e independentes. O primeiro grupo representa seu partido e o segundo, eleitores que o levaram à vitória em 2016, por margem estreita principalmente em estados do Meio-Oeste, como Wisconsin, ou próximos da região (caso da Pensilvânia).

Depois de votar duas vezes em Barack Obama, em 2008 e 2012, parte dos independentes se dizia cansada da política tradicional e optou por Trump na última eleição.

O cenário que se desenha para o presidente não é positivo, como têm revelado os números, mas olhar para o histórico deles também sugere que nada é irreversível.

Hillary errou na campanha e não motivou pessoas jovens e negras a irem às urnas.

Biden precisa capitalizar esses eleitores —que estão nas ruas em protestos contra o racismo pelo país— sem perder os independentes e mais conservadores do Meio-Oeste.

Ainda é cedo para fazer prognósticos. É preciso avaliar como esses estados-chave estarão impactados pela pandemia e pela crise econômica no segundo semestre antes de apostar no desfecho de uma das eleições mais imprevisíveis da história americana.

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