Bogotá segue outras capitais latino-americanas e retoma quarentena rígida

Como Santiago e Buenos Aires, cidade colombiana teve aumento de casos de coronavírus

Buenos Aires

Na pandemia do coronavírus, grandes cidades latino-americanas estão recuando na retomada da economia e na flexibilização de medidas sanitárias devido à escalada do vírus.

Ocorreu primeiro com Santiago (Chile), que havia adotado uma quarentena vertical. Um aumento súbito de infecções, porém, levou as autoridades a decretar um “lockdown” na região metropolitana, onde vivem 8 milhões de pessoas, em 13 de maio.

Depois, foi Buenos Aires. Em sua longa quarentena, que está em seu 113º dia, a Argentina foi relaxando e flexibilizando regras em distintas províncias e cidades com pouca circulação do vírus.

Pessoas esperam em fila para realizar testes de detecção da Covid-19 em Bogotá
Pessoas esperam em fila para realizar testes de detecção da Covid-19 em Bogotá - Raul Arboleda - 8.jul.20/AFP

Em 9 de junho, foi a vez de a capital do país, cuja região metropolitana tem 14,8 milhões de habitantes, reabrir parte do comércio, das indústrias e permitir exercícios ao ar livre das 20h às 8h.

O resultado não foi bom, e os casos cresceram de modo exponencial, passando a representar 97% dos contágios do país. O governo, então, decretou um novo “lockdown”, vigente desde o último dia 1º e previsto até sexta-feira (17).

Agora, só os trabalhadores de serviços essenciais podem circular, e as atividades físicas ao ar livre foram suspensas.

A partir desta segunda-feira (13) e até 26 de agosto, será a vez de Bogotá, capital da Colômbia, cuja região metropolitana tem 10,7 milhões de habitantes, voltar a uma quarentena restrita.

A decisão foi tomada na última sexta (10) pela prefeita Claudia López, com a anuência do presidente Iván Duque. A Colômbia adotou medidas de distanciamento social desde 25 de março e, por decisão do mandatário, estendeu-as até 1º de agosto.

Em mais de 600 cidades sem casos e em regiões em que o vírus está mais controlado, as medidas são mais leves e, desde o fim de junho, havia começado uma reativação da economia na capital do país.

López, do partido Verde (centro), de oposição a Duque, foi contra. Depois de fricções, os dois concordaram em recuar na reabertura de Bogotá.

Segundo a prefeita, a retomada trouxe de volta às ruas 7 milhões de pessoas, o que levou a equipe de infectologistas da capital a pedir uma nova quarentena rigorosa.

“Quando nós a adotamos, em março, conseguimos reduzir o movimento de pessoas de 80% da população. Agora estamos apenas com menos de 10% abaixo do normal. Não podemos chegar ao pico da doença com essa quantidade de gente circulando”, disse a jornalistas na sexta.

De acordo com López, os infectologistas esperam que o pico de transmissões ocorra na primeira semana de agosto.

No que ela chamou de “último esforço da cidadania”, estarão funcionando apenas farmácias e serviços de saúde, de abastecimento de alimentos, de segurança e de comércio de combustível.

Entre as 20h e as 5h, ninguém poderá sair às ruas, e a venda de bebidas alcoólicas, assim como os exercícios ao ar livre, está proibida.

O aeroporto internacional de El Dorado, principal do país, continuará fechado, operando apenas voos especiais até o começo de agosto, quando haverá nova avaliação.

Outro fator que levou a essa decisão foi o alerta da rede hospitalar —85% dos leitos de UTI estão ocupados. O principal hospital da cidade, Simón Bolívar, transfere casos que não sejam de coronavírus para outras unidades. Até sexta-feira (10), Bogotá registrava mais de 42 mil infecções e 959 mortes.

Durante o período desta nova medida, o governo municipal garantirá renda básica para 700 mil famílias, principalmente habitantes da periferia da cidade.

Além disso, por parte do governo nacional, os pacientes com coronavírus receberão 240 mil pesos colombianos (R$ 350) durante o processo de recuperação. “A ideia é vencer o pico do contágio. Apelo à consciência cidadã”, disse López.

Erramos: o texto foi alterado

A faixa de horário em que habitantes de Bogotá não podem sair de casa é entre as 20h e as 5h, e não entre as 8h e as 17h. O texto foi corrigido.

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