Descrição de chapéu China

Um dia após sugerir adiamento da eleição nos EUA, Trump condena adiamento de eleição em Hong Kong

Líder executiva do território alegou haver riscos risco de contaminação pela Covid-19

Washington | Reuters

A Casa Branca condenou nesta sexta-feira (31) a decisão de Hong Kong de adiar as eleições legislativas marcadas para setembro, afirmando que se trata do mais recente exemplo de Pequim minando a democracia no território semiautônomo.

O posicionamento do governo dos EUA acontece um dia depois de o presidente Donald Trump defender o adiamento das eleições americanas.

Donald Trump participa de evento sobre doação de sangue na sede da Cruz Vermelha dos EUA
Donald Trump participa de evento sobre doação de sangue na sede da Cruz Vermelha dos EUA - Jim Watson - 30.jul.20/AFP

"Esta ação corrói os processos democráticos e as liberdades que sustentaram a prosperidade de Hong Kong", disse a repórteres a porta-voz da Casa Branca, Kayleigh McEnany.

"Esta é apenas a mais recente de uma lista crescente de promessas não cumpridas por Pequim, que se comprometeu a preservar a autonomia e as liberdades do povo de Hong Kong até 2047 ao assinar a declaração conjunta sino-britânica."

Marcado para a primeira semana de setembro deste ano, o pleito agora foi agendado para setembro de 2021. A justificativa do governo local é o risco de contaminação pelo coronavírus, mas ativistas pró-democracia veem a decisão como resultado da interferência chinesa.

Em uma publicação no Twitter na quinta-feira (30), o líder republicano afirmou, sem apresentar provas, que a votação universal pelos correios poderia fazer do pleito "a eleição mais imprecisa e fraudulenta da história" e um "grande embaraço para os EUA".

Ele sugeriu um adiamento para que as pessoas possam votar "de maneira adequada, segura e protegida", mas a retórica soa como uma nova escalada da vacina produzida por quem sabe que está em situação eleitoral bastante difícil.

A declaração do republicano sobre o adiamento das eleições se deu minutos depois de serem divulgados dados que mostram que a economia dos EUA contraiu 9,5% no segundo trimestre, ou 32,9% em termos anualizados, no ritmo mais acentuado desde a Grande Depressão.

Os EUA, que vivem uma Guerra Fria 2.0 com a China, têm usado o cerco de Pequim a Hong Kong em seu discurso contra o país asiático no campo dos direitos humanos.

Mais cedo neste mês, a Casa Branca determinou o encerramento da política de tratamento econômico especial dado à ex-colônia britânica em resposta à imposição chinesa de uma lei de segurança nacional que erodiu grande parte das liberdades do território semiautônomo.

Os EUA também têm apoiado os manifestantes anti-Pequim —Hong Kong vive uma onda de protestos desde junho de 2019.

Em novembro passado, o Congresso americano aprovou uma legislação, sancionada por Trump, que prevê punições a autoridades responsáveis por abusos na repressão aos atos.

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