Descrição de chapéu Governo Trump China

Com decreto de Trump, EUA revogam vistos de mais de mil chineses

Medida atinge alunos de pós-graduação e pesquisadores; Washington cita risco à segurança

Washington e Pequim | Reuters

Os EUA revogaram nesta quarta-feira (9) os vistos de mais de mil pesquisadores e estudantes de pós-graduação chineses, anunciou uma porta-voz do Departamento de Estado.

A ação tem base legal em um decreto assinado pelo presidente Donald Trump em 29 de maio que suspende a entrada de universitários e pesquisadores considerados um risco à segurança.

A porta-voz do Departamento de Estado afirmou que “pesquisadores e estudantes de pós-graduação de alto risco” representam uma pequena fração dos chineses que vão aos EUA para estudar e realizar pesquisas e que os acadêmicos legítimos continuarão a ser bem-vindos.

Estudantes caminham pelo campus da universidade Harvard - Brian Snyder - 10.mar.2020/Reuters

O anúncio veio após o secretário interino do Departamento de Segurança Nacional, Chad Wolf, dizer pela manhã que o país revogaria vistos de “certos estudantes de pós-graduação e pesquisadores ligados à estratégia militar da China, a fim de evitar o roubo e a apropriação de pesquisas sensíveis”.

Wolf reiterou as acusações de que a China se vale de práticas injustas de comércio e realiza espionagem industrial e disse que o país asiático abusa do sistema de vistos para explorar universidades americanas. Afirmou ainda que os EUA vão bloquear a entrada de produtos produzidos “com trabalho escravo”.

Antes do anúncio, alguns estudantes chineses de universidades americanas afirmaram ter recebido mensagens por email da embaixada americana em Pequim e de consulados na China informando que seus vistos haviam sido cancelados.

De acordo com a agência de notícias Reuters, mais de 60 estudantes que participam de um grupo no aplicativo WeChat disseram ter recebido mensagens segundo as quais eles teriam que solicitar novos vistos caso quisessem viajar aos EUA.

Centenas de milhares de estudantes chineses nos EUA enfrentam interrupções e problemas em seus estudos em função da redução do ensino presencial nas escolas americanas, medida tomada para tentar limitar a propagação do coronavírus.

Uma estudante de pós-graduação da universidade de Illinois at Urbana-Champaign, que preferiu não se identificar, afirmou estar chocada com o recebimento do aviso.

Segundo ela, a única razão pela qual poderia ter sido incluída na lista é sua experiência anterior na universidade de Correios e Telecomunicações de Pequim, conhecida por pesquisas em defesa e tecnologia da segurança. Ela diz, no entanto, que já se afastou há muito tempo da instituição.

Em junho, a China já havia se colocado contra qualquer ação para restringir alunos chineses de estudar nos EUA e exortou Washington a se esforçar para melhorar o entendimento e as trocas entre os países.

Cerca de 360 mil chineses estudam no país, o que representa uma fonte de renda significativa para universidades americanas. As relações entre China e EUA ficam cada vez mais tensas com as duas potências se confrontando em inúmeras frentes, que vão de questões comerciais à pandemia do coronavírus, passando por cibersegurança, disputas territoriais e questões de direitos humanos.

A chamada Guerra Fria 2.0 tornou-se também uma importante parte da corrida presidencial entre o republicano Trump e o democrata Joe Biden, que acontece no dia 3 de novembro.

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