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Diretor do Memorial de Auschwitz pede para cumprir parte de pena de nigeriano de 13 anos

Garoto foi condenado por blasfêmia a 10 anos de prisão em decisão de tribunal que segue a sharia

Lagos | Reuters

O diretor do Memorial de Auschwitz, na Polônia, publicou neste sábado (26) uma carta que escreveu ao presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, oferecendo-se para cumprir parte da pena de um menino de 13 anos condenado a dez anos de prisão por blasfêmia.

Piotr Cywinski pediu ao governo que perdoe Omar Farouq, acusado de blasfemar durante uma discussão e sentenciado por um tribunal que segue a sharia, a lei islâmica, no estado de Kano, no norte do país.

A Nigéria é dividida entre o sul cristão e o norte predominantemente muçulmano, e 12 dos 36 estados do país aplicam a sharia.

Cópia da carta escrita pelo diretor do Memorial de Auschwitz pedindo ao presidente da Nigéria que conceda perdão presidencial a menino de 13 anos condenado por blasfêmia em tribunal da sharia
Cópia da carta escrita pelo diretor do Memorial de Auschwitz pedindo ao presidente da Nigéria que conceda perdão presidencial a menino de 13 anos condenado por blasfêmia em tribunal da sharia - Reprodução/Twitter do Memorial de Auschwitz

Ciwinski sugeriu que, caso o perdão não seja possível, ele e outros 119 voluntários assumam o lugar do garoto e cumpram um mês de prisão na Nigéria cada um.

Como diretor de um memorial "onde crianças foram presas e assassinadas, não posso permanecer indiferente a essa sentença vergonhosa para a humanidade", escreveu Cywinski na carta.

Segundo o diretor do memorial, Farouq não pode ser responsabilizado integralmente, dada sua pouca idade. "Ele não deve ser submetido a perder a totalidade de sua juventude, ser privado de oportunidades e estigmatizado física, emocional e educacionalmente pelo resto de sua vida."

Cywinski também se ofereceu, caso o presidente concorde em oferecer clemência, a buscar ajuda financeira para garantir educação adequada ao menino. Por fim, disse estar esperançoso de que a situação seja rapidamente resolvida "de acordo com padrões do século 21".

Dois porta-vozes do governo da Nigéria contatados pela agência de notícias Reuters se recusaram a comentar o pedido. Até o momento, a Presidência do país do oeste africano não comentou a sentença, amplamente condenada por organizações de direitos humanos.

No mês passado, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) afirmou que a decisão era equivocada e que ia contra acordos internacionais assinados pela Nigéria.

À Reuters um assessor do governador do estado de Kano, que afirmou ter visto a carta do Memorial de Auschwitz publicada nas redes sociais, disse que a posição do governo "permanece com a decisão do tribunal da sharia".

Baba Jibo Ibrahim, porta-voz da Justiça do Estado de Kano, por sua vez, disse que não viu a carta, mas que o presidente tem o poder de conceder perdão ao garoto.

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