Facebook proíbe anúncios que questionam ou invalidam eleições nos EUA

Decisão vem um dia após debate em que Trump voltou a atacar legitimidade do pleito

San Francisco | Reuters

O Facebook proibiu, a partir desta quarta-feira (30), a veiculação de anúncios que alegam fraude eleitoral generalizada nos Estados Unidos, que sugerem que o resultado do pleito seria inválido e que atacam qualquer método de votação no país.

Segundo a maior rede social do mundo, a proibição inclui publicações que "retratam a votação ou a participação no censo como inútil ou sem sentido" ou que "deslegitimam qualquer método ou processo legal de votação ou de tabulação dos votos".

Válida também para o Instagram, a decisão da empresa vem um dia depois que o presidente dos EUA e candidato à reeleição, Donald Trump, usou o primeiro debate em que enfrentou o democrata Joe Biden para ampliar suas afirmações infundadas de que as eleições marcadas para 3 de novembro serão fraudadas.

O CEO e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, durante depoimento a congressistas americanos em 2019, em Washington - Erin Scott - 23.out.19/Reuters

O republicano tem sido especialmente crítico à modalidade de voto pelo correio, mas sem apresentar nenhuma evidência que comprove suas acusações. O voto por correspondência é utilizado há anos nos EUA e em 2020 deve ser a opção escolhida por eleitores que querem evitar o risco de contaminação pelo coronavírus nos locais de votação presencial.

Há um mês, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, também anunciou um plano de ações da empresa que tem como objetivo a redução de riscos de desinformação e de interferência eleitoral.

As principais medidas são o veto a propagandas políticas na semana antecedente às eleições, a criação do Centro de Informações sobre Votação —com tutoriais em vídeo sobre como votar por correio e sobre prazos para registro e votação em cada estado americano—, e as parcerias com algumas das principais emissoras de TV americanas e com a agência de notícias Reuters para fornecer informações confiáveis sobre os resultados das eleições.

"Isso certamente se aplicará ao presidente [Donald Trump] assim que essa política entrar em vigor, e se aplicará a todos igualmente", disse Zuckerberg, na ocasião, em entrevista à emissora americana CBS News.

Ainda nesta quarta, o Facebook removeu anúncios da campanha de Trump com base nas regras de incitação ao ódio da rede social. O conteúdo publicado pela equipe do republicano sugeria que imigrantes podem ser uma fonte significativa de infecções por coronavírus.

Não foi a primeira vez que a empresa de Zuckerberg removeu publicações da campanha de Trump.

Em junho, o Facebook retirou do ar uma série de anúncios que mostravam um triângulo vermelho invertido e pediam aos usuários da rede social que assinassem uma petição contra movimentos antifascistas.

O símbolo, entretanto, era o mesmo utilizado por nazistas para identificar suas vítimas políticas nos campos de concentração.

Nesta quarta, a empresa também acrescentou que, desde a última terça-feira (29), anúncios que "elogiam, apoiam ou representam movimentos sociais militarizados e QAnon" também estão proibidos na plataforma.

Os seguidores do QAnon, predominantemente apoiadores de Trump, dizem acreditar na teoria da conspiração de que existe uma rede global de pedófilos que inclui políticos democratas.

O Twitter também colocou alertas em várias publicações do presidente por diferentes motivos. Em uma delas, em que Trump diz que os votos por correio fraudariam os resultados das eleições, foi colocado um aviso de desinformação e um link para informações checadas sobre essa modalidade de voto.

Em agosto, o Twitter ocultou uma publicação do presidente em que ele desencorajava as pessoas a votarem, alegando, mais uma vez sem evidências, que as caixas de correio usadas no voto por correspondência não são higienizadas contra a Covid-19.

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