União Europeia aplica sanções contra bielorrussos, mas poupa ditador

Bloco diz que não sancionou Lukachenko 'por enquanto' porque quer estimular diálogo entre o regime e manifestantes da oposição

Bruxelas | Reuters

A União Europeia impôs nesta sexta sanções contra 40 autoridades bielorrussas apontadas como responsáveis por fraude eleitoral e repressão violenta de manifestações pacíficas.

As proibições a viagens e congelamento de investimentos e ativos não alcançam, porém, o ditador Aleksandr Lukachenko, reeleito pela sexta vez no dia 9 de agosto, em pleito cujo resultado é recusado por manifestantes pró-democracia.

Desde a divulgação de que o ditador vencera com mais de 80% dos votos, mais de 12 mil detenções foram feitas, e jornalistas, expulsos do país.

Na Belarus, manifestações só são permitidas com a autorização do governo, e todos os protestos contra Lukachenko são considerados ilegais.

Atos a favor do presidente também têm acontecido, com relatos de apoio estatal e, em alguns casos, de coação para que funcionários públicos participem.

O Reino Unido e o Canadá também impuseram sanções à Belarus nesta semana, incluindo na lista o nome do ditador.

A Europa excluiu Lukachenko, segundo os líderes do bloco, porque isso prejudicaria a exigência do bloco de que ele liberte os presos políticos e inicie um diálogo com a oposição, mediado pela OSCE (organização para segurança e cooperação europeia).

Se fosse sancionado pessoalmente, o ditador teria bases legais para se recusar a cumprir essas condições, afirmou o presidente da França, Emmanuel Macron.

Segundo líderes europeus, Lukachenko pode ser adicionado à lista nas próximas semanas, caso se recuse a entrar em negociações com a oposição. “Vamos acompanhar os desenvolvimentos”, disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

O conselho, que reúne líderes dos 27 membros e precisa de unanimidade em várias de suas decisões, perdeu credibilidade por demorar semanas a responder à crise, afirmaram diplomatas à agência de notícias Reuters.

A decisão de impôr sanções havia sido tomada em 14 de agosto, mas a negociação vinha sendo travada por Chipre, que exigia uma postura muito mais dura em relação à Turquia em troca de seu apoio.

O presidente cipriota, Nicos Anastasiades, afirmou que a UE deve enviar uma mensagem a Ancara de que a exploração de petróleo e gás ao longo da costa da ilha mediterrânea é inaceitável.

A Turquia, ao mesmo tempo candidata a ingressar na UE e membro da Otan, tem se tornado cada vez mais autoritária sob o presidente Recep Tayyip Erdogan, mas continua sendo um parceiro estratégico que a UE não pode ignorar devido à sua localização estratégica.

Ditador diz que pode retaliar

Em reação às sanções europeias, o Ministério das Relações Exteriores bielorrusso afirmou que pode haver "consequências ainda mais sérias, como a retirada da Belarus de programas e projetos conjuntos, uma revisão do nível e modalidade da presença diplomática até uma decisão sobre a conveniência de manter relações diplomáticas".

O regime de Lukachenko afirmou que o bloco europeu ignora os esforços bielorrussos para fortalecer suas relações com os blocos.

"Um quarto de século não foi o suficiente para que a UE implantasse o Acordo de Parceria e Cooperação com a Belarus, mas semanas foram suficientes para a introdução de sanções", afirmou o ministério.

A ditadura bielorrussa alfinetou os líderes do bloco dizendo que provavelmente eles teriam sido mais rápidos para decidir sobre as sanções, "se não fosse pela temporada de férias, que é sagrada para os europeus".

O ministério afirmou que a Belarus não vai ceder às tentativas de "impor aos bielorrussos alguns representantes aprovados de fora". "Projetos de 'governos no exílio' e semelhantes estão fadados ao fracasso", diz o comunicado.

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