Descrição de chapéu The New York Times

Defensor da autonomia palestina, Saeb Erekat morre aos 65

Oficial palestino havia recebido diagnóstico de Covid-19, afirmam funcionários de hospital

Isabel Kershner
Jerusalém | The New York Times

Saeb Erekat, alto funcionário e negociador palestino que defendeu incansavelmente o estabelecimento de um Estado palestino independente como solução para o conflito com Israel, morreu nesta terça-feira (10) em um hospital em Jerusalém. Ele tinha 65 anos.

Funcionários do Centro Médico Hadassah atribuíram a morte à Covid-19. Afirmaram que Erekat foi internado em 18 de outubro em estado crítico, precisando de ventilação e ressuscitação imediatas. O negociador já havia realizado um transplante de pulmão. Segundo o hospital, Erekat morreu de falência múltipla de órgãos.

Por três décadas, como confidente do líder palestino Yasser Arafat e de seu sucessor, Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, Erekat foi uma das vozes mais proeminentes da causa palestina.

retrato de saeb erekat
Saeb Erekat participa de entrevista coletiva em Ramallah, na Cisjordânia, em janeiro deste ano - Ayman Nobani - 30.jan.20/Xinhua

Como principal negociador, ele foi autor de partes importantes dos acordos de paz de Oslo da década de 1990, os primeiros entre israelenses e palestinos, que estabeleceram o autogoverno palestino em partes da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

Embora suas declarações públicas às vezes lhe dessem a imagem de um incendiário, Erekat, um diplomata educado no Ocidente, era querido e respeitado por muitos de seus colegas americanos e israelenses, que o consideravam franco e experiente. Mas a ambição de sua vida —ajudar a criar um Estado palestino e por fim à ocupação israelense— o escapou.

“Ainda não terminei o que nasci para fazer”, escreveu ele em uma mensagem recente a Tzipi Livni, ex-ministra das Relações Exteriores de Israel e parceira nas negociações. Abbas declarou três dias de luto com bandeiras a serem hasteadas a meio mastro.

“A partida de nosso irmão e amigo, o grande lutador Saeb Erekat, representa uma grande perda para a Palestina e para o nosso povo e nos sentimos profundamente tristes com seu falecimento, especialmente à luz das circunstâncias difíceis que enfrentam a causa palestina”, disse Abbas em um comunicado divulgado pela Wafa, a agência oficial de notícias da Palestina.

Membro leal do Fatah, a principal facção política liderada por Abbas, Erekat renunciou várias vezes a cargos para protestar contra decisões políticas ou defender sua posição, mas sempre retornou ao trabalho pela causa palestina.

Em 2015, tornou-se secretário-geral do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina, o grupo guarda-chuva que representa as facções palestinas seculares. Trata-se do segundo posto mais alto depois da presidência da Autoridade Palestina, ocupada por Abbas.

O negociador buscou constantemente o envolvimento com os israelenses e fez amizades profundas com vários de seus interlocutores. No entanto, alguns oficiais israelenses romperam com o palestino depois de ele fazer campanha para que Israel fosse processado por crimes de guerra no Tribunal Penal Internacional e por acusar Israel de ter cometido um massacre no campo de refugiados de Jenin em 2002, uma alegação que se revelou infundada.

Saeb Muhammad Erekat nasceu em 28 de abril de 1955, o sexto de sete irmãos e irmãs, em uma família de Abu Dis na governadoria de Jerusalém, que então estava sob administração jordaniana. Ele cresceu em Jericó, na Cisjordânia. Seu pai, Muhammad Erekat, viveu nos EUA por muito tempo como empresário.

Aos 17 anos, Erekat viajou para a Califórnia, onde obteve o bacharelado e o mestrado em ciências políticas e relações internacionais na San Francisco State University. Ele retornou à Cisjordânia no final dos anos 1970 e se tornou professor na Universidade Nacional An Najah. Mais tarde, ele obteve o doutorado em estudos sobre a paz pela Universidade de Bradford, no Reino Unido.

Erekat deixa a esposa, Neameh; duas filhas, Dalal e Salam; e dois filhos, Ali e Muhammad.

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