Descrição de chapéu
Mundo leu terrorismo

'Pátria' mostra o único separatismo que o ETA conseguiu

Série da HBO dá pouca ênfase, porém, ao tamanho do fracasso do grupo terrorista

São Paulo

Você entra para comer num lugar qualquer de uma cidade qualquer do mundo ocidental, aleatoriamente. Onde estaria a maior probabilidade de encontrar bons pratos? No País Basco, opina o mais famoso chef vivo, Ferran Adrià. Não é neste texto que alguém irá discordar.

Uma região festeira e endinheirada que nada tem a ver com o mesmo País Basco mostrado na série “Pátria”, da HBO. Lá se vê um lugar aterrorizado pelo ETA, grupo separatista que só conseguiu separar familiares e amigos. O ódio e a tristeza são o foco dos oitos capítulos.

Criado em 1959 como uma entidade de promoção cultural, o Euskadi Ta Askatasuna (Pátria Basca e Liberdade, na misteriosa língua local) se converteu em um núcleo terrorista que dizia buscar a independência da região, hoje com pouco mais de 2 milhões de habitantes.

População que, vale dizer, estava muito longe de dar apoio maciço à aventura do grupo e se viu obrigada a conviver com uma das maiores concentrações policiais da Europa. Pois, como define um dos personagens da série, “ninguém entra no ETA para ser jardineiro”.

Os etarras, nome dado a seus integrantes, estavam por todo lugar e por lugar nenhum. Os terroristas podiam ser o garçom da taberna ou o filho que sumiu de casa. Financiavam-se com achaques e, em nome da causa, matavam quem fosse preciso, não importava se fosse um velho conhecido de infância. A série retrata muito bem esse aspecto aflitivo da vida basca naqueles anos.

O que a produção não mostra com tanta ênfase é o tamanho do fracasso do ETA. Não se exploram a fundo seus equívocos, como aquele que o próprio grupo batizaria depois de o maior de seus erros: o atentado em um supermercado em Barcelona que matou 21 pessoas e fez a organização perder o apoio na Catalunha, outra das províncias separatistas espanholas.

A decadência seguiu até 2011, quando um pendrive enviado à BBC continha um vídeo no qual três mascarados anunciam o fim das operações armadas do ETA. Contavam-se mais de 800 assassinatos no caminho.

Boa parte da história de “Pátria” se passa em San Sebastián (ou Donostia, como dizem os bascos). É a terra natal do escritor Fernando Aramburu, autor do livro que deu origem à série. Desde o desaparecimento do ETA, a explosão que a cidade vivencia é a do turismo.

"Pátria"

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