Descrição de chapéu Coronavírus

Covid-19 deixa 235 milhões de pessoas dependentes de ajuda humanitária, diz ONU

Relatório anual da entidade aponta aumento de demanda emergencial provocado pelo coronavírus

Genebra e Nova York | AFP e Reuters

O coronavírus causou uma "carnificina" nos países mais vulneráveis e gerou um aumento de 40% no número de pessoas que precisam de assistência humanitária em todo o mundo, de acordo com o relatório Panorama Humanitário Mundial, divulgado nesta terça (1º) pela Organização das Nações Unidas (ONU).

"Se todos os que precisarão de ajuda no próximo ano vivessem em único país, este seria o quinto maior país do mundo", disse Mark Lowcock, coordenador do programa de ajudas emergenciais da ONU.

Refugiados iemenitas em depósito do Programa Mundial de Alimentos (PMA) na província de Hajjar, próximo da fronteira entre Iêmen e Arábia Saudita - Essa Ahmed - 8.jul.19/AFP

Segundo o relatório, 235 milhões de pessoas —1 a cada 33 no planeta— precisarão de algum tipo de ajuda humanitária em 2021, e, para atendê-las, a ONU quer atingir US$ 35 bilhões (R$ 185 bilhões) em doações. A meta é mais que o dobro dos recordes US$ 17 bilhões (R$ 89,8 bilhões) que a entidade recebeu dos países-membros em 2020, quando o objetivo era angariar US$ 29 bilhões (R$ 153,2 bilhões).

O relatório apresenta um cenário sombrio das necessidades provocadas por conflitos, deslocamentos, desastres naturais e pela mudança climática, mas atribui à Covid-19 a maior responsabilidade pelo aumento da demanda humanitária.

A pandemia, segundo a ONU, afetou de modo desproporcional as populações que "já vivem no fio da navalha", e o panorama apresentado é "a perspectiva mais desoladora e sombria sobre a necessidade humanitária" já anunciada pela entidade.

Os planos da ONU para o próximo ano consistem em 34 projetos para alcançar 160 milhões de pessoas em 56 países. De acordo com Lowcock, a entidade sempre prioriza dois terços dos necessitados porque outras instituições, como a Cruz Vermelha, tentam preencher a lacuna na assistência humanitária.

Pela primeira vez desde os anos 1990, a pobreza extrema aumentará, a expectativa de vida vai diminuir e o número de mortes em um ano por HIV, tuberculose e malária pode dobrar.

Mas, de acordo com o relatório da ONU, a principal preocupação é evitar a fome em países como Iêmen, Afeganistão, Nigéria, Sudão do Sul, Etiópia, República Democrática do Congo e Burkina Fasso.

"Há um perigo claro e presente de uma fome em grande escala no Iêmen agora, e o maior motivo para isso é porque alguns países muito importantes que forneceram muita assistência para nossa operação de socorro em 2018 e 2019 não o fizeram em 2020", afirma Lowcock.

Para o representante da ONU, os bilhões de dólares necessários para a ajuda humanitária em 2021, apesar de muito dinheiro, são uma quantia "muito pequena" em comparação com o que os países mais ricos gastaram em injeções para resgatar suas economias.

"O que está em jogo é a vida de um grande número de pessoas vulneráveis, e o custo de salvaguardar suas vidas é, na realidade, muito pequeno em relação a todos os outros desafios que enfrentamos. O mundo rico agora pode ver a luz no fim do túnel", disse Lowcock. "O mesmo não acontece nos países mais pobres. As luzes vermelhas estão piscando, e os alarmes, tocando."

Para o secretário-geral da ONU, o português António Guterres, a crise está longe do fim.

"Os orçamentos de ajuda humanitária enfrentam carências terríveis à medida que o impacto da pandemia mundial continua a piorar", afirmou, em comunicado. "Juntos, nós devemos mobilizar recursos e permanecer solidários com as pessoas em seu momento mais sombrio de necessidade."

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