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EUA batem recorde na vacinação, mas reabertura nos estados pode prejudicar avanços

País abriu centros de imunização em massa, em estádios e arenas esportivas, muitos com funcionamento 24 horas

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Washington

Os EUA bateram o recorde diário de vacinação neste fim de semana e divulgaram, nesta segunda (8), as tão aguardadas diretrizes de comportamento aos americanos imunizados contra Covid-19.

Apesar dos dados positivos, autoridades de saúde alertam que o perigo segue iminente e que o afrouxamento de restrições como distanciamento social e uso de máscaras pode prejudicar os avanços feitos no país até agora.

Após um início de vacinação considerado lento, com média de 900 mil aplicações por dia entre dezembro e janeiro, os EUA chegaram a 5,3 milhões de imunizantes administrados no último fim de semana, com o recorde de 2,9 milhões somente no sábado (6).

Americanos frequentam bar em San Francisco, na Califórnia, após liberação de funcionamento desses locais na região
Americanos frequentam bar em San Francisco, na Califórnia, após liberação de funcionamento - Brittany Hosea-Small - 5.mar.21/Reuters

O salto pode ser creditado a uma série de fatores, que inclui mais confiança da população americana na vacina e a abertura de centros de imunização em massa, em estádios e arenas esportivas e em 18 galpões da Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema, na sigla em inglês), muitos com funcionamento 24 horas.

Na maior parte dos estados americanos, supermercados e farmácias somam-se a hospitais e centros médicos como postos de vacinação que, ao todo, aplicaram ao menos uma dose do imunizante em 58 milhões de pessoas desde 14 de dezembro —ou seja, 16% da população dos EUA.

Pesquisa divulgada na sexta-feira (5) pelo Pew Research Center mostrou que o apoio dos americanos à vacina também aumentou nos últimos meses, e agora 69% deles planejam receber —ou já receberam— o imunizante, ante 60% que, em novembro, pretendiam fazê-lo.

O presidente Joe Biden prometeu que, até o fim de maio, haverá doses para todos os adultos do país que desejarem ser vacinados, dois meses antes do prazo anunciado inicialmente.

Com o avanço da imunização e a queda no número de novos casos e mortes por Covid-19 —que permanecem em patamar alto, mas menor que o dos últimos meses—, estados como Arizona, Texas, Alabama, Nova York e Califórnia decidiram relaxar restrições que estavam, de alguma maneira, em curso havia quase um ano.

A medida, somada às novas variantes do vírus que se espalham pelo país, acendeu o alerta da Casa Branca e de autoridades de saúde para um possível novo e quarto surto no país.

No Arizona, por exemplo, o governador republicano Doug Ducey acabou com o limite de capacidade em bares e restaurantes, mas disse que vai manter a exigência do uso de máscara em lugares públicos.

Já o governador do Texas, o republicano Greg Abbott, anunciou a volta de ocupação total nos estabelecimentos comerciais e derrubou a obrigatoriedade do uso das máscaras. No Alabama, onde o governo também é comandado pelo Partido Republicano, a proteção facial deixará de ser mandatória em abril.

Apesar de a postura sobre o uso das máscaras permanecer com alto componente político —democratas são mais abertos ao item de segurança—, governadores do partido de Biden também anunciaram flexibilizações nos últimos dias.

Gavin Newsom, da Califórnia, disse que vai permitir o funcionamento de parques temáticos e a prática de esportes e eventos ao ar livre a partir do próximo mês, ainda que com capacidade reduzida e máscaras obrigatórias nos estádios. Em Nova York, Andrew Cuomo concederá sinal verde para que restaurantes com área externa tenham ocupação de até 75% de sua capacidade.

De acordo com dados da Universidade Johns Hopkins, os EUA têm registrado média de 60 mil novos casos por dia —ante 260 mil em janeiro—, e o número de mortes diárias é de cerca de 1.700. Há dois meses, as vítimas passavam de 4.000 em 24 horas.

Diretor do Instituto de Doenças Infecciosas, Anthony Fauci tem dito que, mesmo com a melhora dos dados, não dá para baixar a guarda e há risco de um novo surto com um platô considerado ainda bastante elevado. "Queremos voltar com cuidado e devagar", disse Fauci à CBS News neste fim de semana. "Mas não dá para ligar e desligar o interruptor, porque seria realmente arriscado ter um novo surto outra vez."

A opinião do especialista, um dos principais conselheiros de Biden na Casa Branca, é seguida por autoridades do Centro de Prevenção e Controle de Doença dos EUA (CDC, na sigla em inglês).

Michael Osterholm, um dos diretores da agência, por exemplo, tem repetido que os EUA estão "no olho do furacão" e que pode haver aumento no número de casos devido às novas variantes, como a identificada primeiro no Reino Unido e que continua a crescer em território americano.

De acordo com Osterholm, 40% dos casos em todo o país estão ligados a essa nova cepa do vírus.

Nesta segunda, ao divulgar as diretrizes para as pessoas que receberam a dose final da vacina nos EUA, a diretora do CDC Rochelle Walensky disse estar ciente da ansiedade para que os americanos "voltem a fazer coisas que gostam ao lado de quem amam", mas alertou que é preciso que outros milhões sejam vacinados para que todos possam parar de seguir as precauções —a previsão é que a chamada imunidade de rebanho seja atingida nos EUA somente na metade do ano.

Para os 31 milhões de pessoas que já estão completamente imunizados no país, o CDC afirma que é possível dar um primeiro passo rumo ao novo normal, com reuniões de vacinados em pequenos grupos sem máscaras. Nos EUA, são três as vacinas aprovadas para uso —as da Pfizer e da Moderna, com duas doses cada, e a da Janssen, de uma única aplicação.

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