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Sequestradores libertam quase 300 meninas levadas de escola da Nigéria

Governo nega ter pago resgate; alvos de agressões e ameaças, todas as alunas agora estão em segurança

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Gusau (Nigéria) | AFP e Reuters

As 279 meninas que haviam sido sequestradas em um colégio interno no noroeste da Nigéria na última sexta-feira (26) foram libertadas, de acordo com as autoridades do país. Segundo relatos das vítimas, várias delas sofreram agressões e foram ameaçadas.

A princípio, o governo nigeriano havia divulgado que 317 alunas do internato em Jangebe, no estado de Zamfara, tinham sido levadas pelos sequestradores. Posteriormente, porém, descobriu-se que parte das meninas tinha conseguido fugir. Agora todas estão em segurança, disse o governador da região, Bello Matawalle.

"A maioria de nós se machucou nos pés, e não podíamos continuar a caminhada", contou a aluna Umma Abukabar à agência de notícias Reuters. "Então eles [os sequestradores] disseram que atirariam em qualquer uma que não continuasse a andar."

Militar acompanha grupo de meninas que haviam sido sequestradas em Gusau, na Nigéria - 2.mar.21/AFP

Os colégios no norte da Nigéria se tornaram alvos de sequestros em massa por grupos criminosos armados que exigem pagamentos de resgate para financiar suas atividades. O ataque da última sexta-feira foi o segundo sequestro em pouco mais de uma semana no noroeste do país e o quarto desde dezembro.

De acordo com o governador Matawalle, "bandidos arrependidos" trabalharam em parceria com as autoridades para garantir a libertação das alunas, como parte de um programa de anistia do governo.

Houve lágrimas durante o reencontro entre pais e filhas em Gusau, capital de Zamfara. A maioria das meninas parecia ilesa, mas algumas foram encaminhadas a hospitais para receber atendimento médico. Em um auditório da capital, elas receberam hijabs (um tipo de véu islâmico), cantaram o hino nacional e falaram com os jornalistas.

"Eles carregaram as doentes que não podiam se mover. Estávamos andando sobre pedras e espinhos", contou Farida Lawali, 15. "Eles começaram a nos bater com as armas para que a gente pudesse se mover. Enquanto nos batiam com as armas, algumas choravam e andavam ao mesmo tempo."

Lawal Abdullahi, pai de sete meninas que haviam sido sequestradas, disse que o ataque à escola não o impediria de continuar incentivando a educação das filhas.

"[O sequestro] É uma manobra para impedir que nossas meninas recebam a educação ocidental, na qual estamos muito atrasados", disse. "Não devemos sucumbir à chantagem. Meu conselho ao governo é que eles tomem precauções imediatas para impedir novos sequestros."

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, disse que a notícia da libertação das meninas trouxe uma "alegria avassaladora" e negou que o governo tenha dado dinheiro aos sequestradores.

"Os pagamentos de resgate continuarão a prosperar os sequestros", disse o presidente, pedindo à polícia e aos militares que levem os sequestradores à Justiça.

A Nigéria é palco de atuação de diversos grupos radiciais, como o Boko Haram, a Al Qaeda e o Estado Islâmico, o que deixa a situação no país instável.

Inicialmente, os sequestros em escolas foram realizados por esses grupos, mas a tática agora foi adotada também por outros militantes que atuam no noroeste e que não têm uma agenda clara.

Os grupos são alvo de denúncias de violência sexual, ataques, sequestros e roubos contra cidades e vilas rurais na Nigéria e no vizinho Níger.

Nos últimos meses, sequestros em massa por resgate, visando estudantes, tornaram-se mais frequentes, e a falta de segurança deixou muitos residentes rurais e escolas expostos.

Na semana passada, homens armados não identificados sequestraram 42 pessoas, incluindo 27 estudantes, e mataram um aluno, em um ataque noturno a um internato no estado do centro-norte do Níger. Os reféns foram libertados no sábado (27).

Em dezembro, dezenas de homens armados sequestraram 344 estudantes da cidade de Kankara, no noroeste do estado de Katsina. Eles foram libertados seis dias depois, mas o governo negou que o resgate tivesse sido pago.

Os sequestros evocam ainda memórias de 2014, quando mais de 270 estudantes foram levadas pelo Boko Haram de uma escola secundária na cidade de Chibok, no nordeste do país. O caso atraiu atenção mundial, e ao menos 100 meninas ainda estão desaparecidas. Não se sabe exatamente quantas estão vivas.

Mas o caso de 2014 tem diferenças em relação aos sequestros mais recentes. Os criminosos que executaram os ataques nos últimos meses atuam por dinheiro e não por razões ideológicas, apesar dos vínculos de alguns deles com movimentos jihadistas.

Alguns grupos têm centenas de membros, e outras apenas algumas dezenas, mas suas fileiras têm ganhando cada vez mais gente em uma região onde mais de 80% dos moradores vive em situação de extrema pobreza.

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