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Mais de 300 meninas são sequestradas de escola na Nigéria

Caso foi o terceiro do tipo em três meses no país; falta de segurança deixa regiões rurais expostas a violência

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Kano (Nigéria) | Reuters

O governo da Nigéria informou, nesta sexta-feira (26), que 317 estudantes foram sequestradas de uma escola rural no noroeste do país, em mais uma etapa da crescente onda de violência causada por grupos armados que atuam nas áreas rurais.

Esse é o terceiro sequestro em massa de estudantes em três meses na Nigéria.

As meninas foram sequestradas na madrugada desta sexta, por volta da 1h do horário local (noite de quinta no Brasil), de uma escola municipal feminina da cidade de Jangebe. Nenhum grupo assumiu a autoria da ação.

A polícia do estado de Zamfara —onde ocorreu o sequestro— disse que já começou as operações de busca e resgate com o Exército para encontrar as garotas. "Há informações de que elas foram transferidas para uma floresta vizinha, e estamos rastreando com cautela", disse o investigador responsável.

Um homem aparece dentro de em um dormitório com camas vazias e dessarrumadas
Um homem aparece dentro de em um dormitório escolar vazio depois que homens invadiram o local e sequestraram mais de 300 meninas em Jangede - Habibu Iliyasu - 26.fev.2021/AFP

O comissário de informação de Zamfara, Sulaiman Tanau Anka, disse à agência de notícias Reuters que os agressores chegaram ao local já atirando e que levaram os alunos dentro de veículos e também a pé.

A Nigéria é palco de atuação de diversos grupos radiciais, como Boko Haram, Al Qaeda e Estado Islâmico, o que deixa a situação no país instável.

Inicialmente, os sequestros em escolas foram realizados por esses grupos, mas a tática agora foi adotada também por outros militantes que atuam no noroeste e que não têm uma agenda clara.

Os grupos são alvo de denúncias de violência sexual, ataques, sequestros e roubos contra cidades e vilas rurais na Nigéria e no vizinho Níger.

Nos últimos meses, sequestros em massa por resgate, visando estudantes, tornaram-se mais frequentes, e a falta de segurança deixou muitos residentes rurais e escolas expostos.

O sequestro desta sexta é o terceiro incidente desse tipo desde dezembro. O aumento dos sequestros é alimentado em parte por grandes recompensas do governo em troca de crianças como reféns, disseram autoridades que não quiseram se identificar. O governo nega ter feito tais pagamentos.

Após o sequestro, havia um clima de tensão na cidade de Jangebe e os moradores atiraram pedras contra jornalistas, ferindo um cinegrafista, disse um funcionário do governo que pediu anonimato.

As famílias das vítimas também veem com desconfiança a capacidade do governo de recuperar as meninas. “Vamos resgatar nossos filhos, já que o governo não está pronto para dar proteção a eles”, disse à agência Reuters Mohammed Usman Jangebe, pai de uma das sequestradas.

O presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, substituiu seus chefes militares de longa data no início deste mês em meio ao agravamento da violência.

Na semana passada, homens armados não identificados sequestraram 42 pessoas, incluindo 27 estudantes, e mataram um aluno, em um ataque noturno a um internato no estado do centro-norte do Níger. Os reféns ainda não foram libertados.

Em dezembro, dezenas de homens armados sequestraram 344 estudantes da cidade de Kankara, no noroeste do estado de Katsina. Eles foram libertados seis dias depois, mas o governo negou que o resgate tivesse sido pago.

Os sequestros atingem um país já enfurecido pela insegurança generalizada e evocam memórias do sequestro de 2014 de mais de 270 estudantes pelo Boko Haram de uma escola secundária na cidade de Chibok, no nordeste do país, que atraiu a atenção global.​

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