Corte alinhada a Maduro condena jornal a pagar US$ 13 mi a número dois do regime venezuelano

Sentença determina que El Nacional, crítico do chavismo, indenize Diosdado Cabello por difamação

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Caracas | AFP

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela condenou na sexta (16) o jornal El Nacional, crítico do chavismo, a pagar US$ 13,4 milhões (R$ 74,4 milhões) de indenização por difamação a Diosdado Cabello, número dois do regime.

Cabello entrou com uma ação em 2015 após o veículo reproduzir uma reportagem do jornal espanhol ABC que o ligava ao narcotráfico. Em 2019, o TSJ já havia sentenciado o jornal digital La Patilla a pagar ao chavista uma indenização equivalente a R$ 19 milhões à época, pela reprodução da mesma reportagem.

Diosdado Cabello durante sessão no Palácio Federal Legislativo, em Caracas
Diosdado Cabello durante sessão no Palácio Federal Legislativo, em Caracas - Marcos Salgado - 15.dez.20/Xinhua

No caso do El Nacional, a Justiça venezuelana considerou que o chavista foi vítima de um dano moral gravíssimo, enquanto o presidente do jornal, Miguel Henrique Otero, afirmou que a decisão é uma desapropriação disfarçada. “O objetivo é que eles, com essa sentença, cobrem os US$ 13 milhões, e nós digamos que não podemos pagar”, disse ele nesta segunda (19). “Então, vão aproveitar: tomar o prédio, as máquinas, tudo que está aí [...] e entregar como compensação a Diosdado Cabello."

O presidente do jornal calcula que, em condições normais do mercado imobiliário venezuelano, a infraestrutura do El Nacional, que tem sede em Caracas, não valeria menos que US$ 20 milhões (R$ 111 milhões). Reunir os US$ 13 milhões “pela moralidade de Diosdado Cabello”, no entanto, é uma tarefa complicada, segundo Otero, e, neste momento, está fora da realidade.

“Ninguém dá nada pela Venezuela, é como um território perdido”, acrescentou. O jornal pediu que a corte explique os critérios para chegar ao valor milionário, já que, em 2018, uma primeira decisão determinou o pagamento de 1 bilhão de bolívares, que na época equivaliam, no mercado negro, a US$ 600 (R$ 3.330, na cotação desta terça).

O jornal El Nacional foi fundado em 1943 pelo escritor venezuelano Miguel Otero Silva. Ao completar 75 anos, em 2018, deixou de circular em edição impressa. Na sua trajetória, acumulou choques com os governos de Hugo Chávez (1999-2013) e de seu sucessor, Nicolás Maduro —que acusa a imprensa de servir a conspirações da oposição para derrubá-lo.

De uma empresa com 1.100 funcionários e ampla variedade de seções e revistas, o veículo foi reduzido a uma centena de empregados que trabalham para a edição online, segundo Otero. Cabello, que também entrou com ações judiciais contra o espanhol ABC e o americano The Wall Street Jornal em 2015, sem sucesso, sugeriu que o edifício do El Nacional se torne uma universidade de comunicação.

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