Príncipe Philip é homenageado com salva de tiros de canhões, flores e cartas

Funeral do marido da rainha Elizabeth 2ª vai acontecer em 17 de abril, com a presença de Harry

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Windsor | Reuters

Apesar das restrições impostas pela pandemia de coronavírus e do pedido da família real para que o público evitasse visitas às suas residências, o Palácio de Buckingham e o Castelo de Windsor amanheceram neste sábado (10) com buquês de flores e cartas deixadas pelos britânicos em homenagem ao príncipe Philip, morto nesta sexta-feira (9).

"Eu trouxe rosas amarelas, que simbolizam a amizade, porque acho que é o que ele mostrava às pessoas", disse Joanna Reesby, 60, em frente ao palácio.

Em todo o Reino Unido —desde a torre de Londres até os castelos de Edimburgo e os navios da Marinha Real—, o som dos canhões das Forças Armadas ressoou ao meio-dia (8h no horário de Brasília) na primeira das 41 salvas previstas em homenagem ao marido da rainha Elizabeth 2ª, 94.

Pessoam depositam flores em frente ao Palácio de Buckingham, em Londres, em homenagem ao príncipe Philip
Pessoam depositam flores em frente ao Palácio de Buckingham, em Londres, em homenagem ao príncipe Philip - Glyn Kirk - 10.abr.21/AFP

Em suas redes sociais, a família real publicou uma fotografia do duque de Edimburgo e da rainha em seu 50º aniversário de casamento, em 1997, com uma homenagem escrita por Elizabeth à época. "Ele tem sido, simplesmente, minha força e permanência todos esses anos, e eu, toda a sua família e este e muitos outros países temos com ele uma dívida maior do que ele jamais possa imaginar", dizia o texto.

O príncipe Charles, príncipe de Gales, também publicou um vídeo em homenagem ao pai. "Meu querido papai era uma pessoa muito especial e acho que teria ficado impressionado com as coisas tocantes que foram ditas sobre ele", afirmou.

Membros da família têm visitado a rainha no Castelo de Windsor, onde Philip morreu aos 99 anos, dois meses antes de seu centésimo aniversário. "A rainha tem sido incrível", disse Sophie, a condessa de Wessex, ao sair com seu marido, o príncipe Edward, filho mais novo de Elizabeth e Philip.

A causa da morte ainda não foi divulgada, mas o príncipe havia passado por procedimentos cardíacos nos últimos meses, nos quais ficara quatro semanas hospitalizado.

Devido à pandemia de coronavírus, Philip não terá um funeral de Estado com a pompa tradicional desse tipo de evento. O College of Arms, instituição real responsável pela cerimônia, divulgou um comunicado em que afirma que o corpo ficará em Windsor até o funeral na capela de St. George, na área do castelo.

O Palácio de Buckingham anunciou neste sábado que a cerimônia vai acontecer em 17 de abril, na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor. Não haverá acesso ao público e nenhuma procissão, mas terá transmissão ao vivo. "Os planos para o funeral estão muito de acordo com os desejos pessoais do duque de Edimburgo”, disse o porta-voz do palácio.

O corpo de Philip está atualmente na capela privada do Castelo de Windsor, com o caixão coberto por seu estandarte, uma coroa de flores e seu boné naval. No dia do funeral, ele será transferido por um grupo da Companhia da Rainha e Guardas Granadeiros do 1º Batalhão até a entrada do castelo.

O caixão deixará a entrada Windsor às 14h45 (10h45 de Brasília) em um carro Land Rover especialmente modificado que o príncipe Philip ajudou a projetar. A banda dos Guardas Granadeiros, dos quais o duque de Edimburgo foi coronel por 42 anos, vai liderar a procissão. O príncipe Charles e outros membros da família real vão participar da procissão a pé, atrás do caixão de Philip. A rainha não vai andar na procissão.

O príncipe Harry planeja comparecer ao funeral, embora sua mulher, Meghan, que está grávida, tenha sido aconselhada por seu médico a não comparecer. Será o primeiro encontro entre Harry e sua família desde a polêmica entrevista concedida à apresentadora Oprah Winfrey, exibida há um mês.

No programa, ele e Meghan disseram que a realeza britânica se preocupou com o tom de pele do primeiro filho do casal, Archie, que nasceu em 2019 —após a exibição da entrevista, a apresentadora americana afirmou que a rainha Elizabeth 2ª e seu marido não estavam envolvidos nas conversas.

A lista de convidados para o funeral será limitada a 30 pessoas, de acordo com as diretrizes do governo, e todos os participantes vão usar máscaras. Devido à restrição no número de convidados, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou em um comunicado que não vai comparecer à cerimônia para dar espaço ao maior número possível de membros da família.

O órgão pediu ainda que a população não tente comparecer ou participar de qualquer ato da cerimônia. O gabinete do premiê recomendou que as pessoas parem de levar flores até as residências reais, com o objetivo de evitar aglomerações e a transmissão do coronavírus. O Palácio de Buckingham e outros prédios por todo o país baixaram suas bandeiras a meio mastro, em sinal de luto.

Philippos Schleswig-Holstein Sonderburg-Glucksburg nasceu em 1921, na ilha grega de Corfu, em um lar marcado por infortúnios. Ligada ainda à coroa dinamarquesa, a família de Philip foi forçada a se exilar quando ele ainda era um bebê após uma insurreição militar.

Philip passou pela França e, enfim, foi viver na Inglaterra com a avó materna, por sua vez neta da rainha Vitória (1819-1901) —o que faz dele um primo distante de Elizabeth.

Ele ingressou na marinha e, em 1939, conheceu Elizabeth durante uma visita da então princesa à academia naval britânica, na qual o estudante foi destacado para ciceronear a herdeira do trono.

Quando eles se casaram, em 1947, Philip se naturalizou britânico, converteu-se à fé anglicana e abdicou de seus direitos a tronos estrangeiros. Virou duque de Edimburgo, o principal de seus muitos títulos.

Ele passou a desempenhar um papel fundamental ajudando a monarquia a se adaptar a um mundo em mudança no período pós-Guerra e só se afastou de suas funções públicas em 2017.

"Acho que ele será lembrado como um modernizador de várias maneiras, como alguém que tanto dentro quanto fora do palácio foi uma força para a mudança", disse Simon Lewis, secretário de comunicações da rainha de 1998 a 2001, à agência de notícias Reuters. “Acho que eles [Philip e Elizabeth] foram a parceria mais extraordinária, e isso será uma lacuna enorme”, afirmou. "Acho que ele sempre se viu em parte como os olhos e os ouvidos da rainha, e isso se foi para sempre."

Nos jogos de futebol da Premier League haverá um minuto de silêncio em homenagem ao príncipe.

Nesta sexta-feira à noite, os sinos da abadia de Westminster, onde eles se casaram, tocaram 99 vezes, uma por minuto, em homenagem aos 99 anos de vida do príncipe.

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