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Chanceler da Colômbia deixa cargo após condenação internacional por repressão a protestos

Presidente Iván Duque perde segundo ministro desde início de manifestações contra governo

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Bogotá | AFP

A ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Claudia Blum, apresentou sua renúncia "irrevogável", num momento em que o governo enfrenta críticas e condenações pela repressão aos protestos que há duas semanas pressionam o presidente Iván Duque. Em carta datada de 11 de maio, mas divulgada por seu gabinete apenas nesta quinta-feira (13), Blum pede demissão do gabinete sem especificar os motivos.

"Tenho a certeza de que [...] o país continuará no caminho do desenvolvimento sustentável, na recuperação social e econômica dos efeitos da pandemia e na consolidação de consensos que ratifiquem a unidade e fortaleçam nossa nação", escreveu a agora ex-ministra.

A ex-chanceler da Colômbia Claudia Blum discursa durante evento em Bogotá
A ex-chanceler da Colômbia Claudia Blum discursa durante evento em Bogotá - Daniel Munõz - 26.fev.21/AFP

Assim, Blum deixa o cargo que ocupava desde novembro de 2019, em meio a críticas que ferem a imagem externa do país. A ONU, os Estados Unidos, a União Europeia e ONGs de direitos humanos denunciaram graves excessos cometidos pela polícia nas manifestações e distúrbios que deixaram pelo menos 42 mortos e mais de 1.500 feridos, segundo dados oficiais e da Defensoria Pública do país.

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De acordo com a imprensa colombiana, a ministra planejava viajar à Europa para compartilhar a versão do governo sobre a crise desencadeada pelas manifestações que, inicialmente, voltavam-se contra uma proposta de reforma tributária em meio à aguda deterioração econômica provocada pela pandemia.

Com a decisão da chanceler, Duque perde o segundo ministro. O primeiro foi o chefe das Finanças, Alberto Carrasquilla, que deixou o cargo devido às críticas à proposta de aumentar impostos da classe média.

Apesar de Duque ter retirado o projeto legislativo, a violenta repressão aos protestos seguiu alimentando o descontentamento. Desde então, os atos se multiplicaram, sem agenda ou direção definida, mas com demandas que exigem um país mais justo e um Estado mais solidário e que garanta vida e segurança.

A Colômbia, com 50 milhões de habitantes, também enfrenta aumento da violência financiada pelo narcotráfico, o que desfaz a ilusão de paz após a assinatura do acordo com a guerrilha das Farc, em 2016.

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