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Em dia com 400 mil casos de Covid, incêndio em hospital mata 18 na Índia

Marca foi quebrada neste sábado (1º), depois de dez dias consecutivos acima de 300 mil casos

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Nova Déli | Reuters e AFP

A Índia registrou neste sábado (1º) mais de 400 mil novos casos confirmados de coronavírus, um recorde mundial que mostra a gravidade da pandemia no país. No mesmo dia, um incêndio em um hospital com pacientes de Covid deixou 18 mortos.

O fogo atingiu a ala de UTI para coronavírus de um centro médico no estado de Gujarat, no noroeste no país —16 das vítimas eram doentes, e duas, membros da equipe médica. A tragédia se soma aos números já assustadores da Índia atualmente. As autoridades registraram 401.993 novos casos nas últimas 24 horas, a maior contagem global, após dez dias consecutivos acima de 300 mil casos. Além disso, foram mais 3.523 mortes, levando o número total de óbitos para 211.853, segundo o Ministério da Saúde.

Crematório para vítimas de Covid em Ghazipur, cidade na Índia
Crematório para vítimas de Covid em Ghazipur, cidade na Índia - Sajjad Hussain/AFP

O recorde acontece ao mesmo tempo que o governo dá início à campanha de vacinação para adultos —já marcada por relatos de escassez de doses em alguns estados. Apesar de ser o maior produtor mundial de vacinas contra a Covid-19, a Índia tem um número limitado de doses disponíveis, agravando o cenário já sobrecarregado de hospitais e necrotérios.

O estado de Bengala Ocidental não pôde começar a imunização para adultos entre 18 e 45 anos neste sábado devido à falta de doses e pediu urgência ao governo nacional em providenciar a quantidade necessária para atender a população.

O ministro-chefe do estado de Déli, Arvind Kejriwal, pediu, na sexta-feira (30), que os moradores não fizessem filas em centros de vacinação, dizendo que as doses chegariam nos próximos dias. Em Odisha, poucas pessoas conseguiram ser vacinadas, apesar de o estado ter recebido 150 mil doses.

Em vários pontos do país, corpos foram queimados sobre piras em trilhas diante de crematórios, depois de familiares não conseguirem encontrar vaga para cremá-los. Enquanto isso, pacientes com Covid-19 continuam chegando a hospitais sobrecarregados, sem leitos para receber novas internações. Famílias lutam para conseguir insumos como remédios e oxigênio, que estão em falta.

Em meio a esse cenário, a capital do país, Nova Déli, anunciou que ampliará o confinamento atualmente em vigor por mais uma semana. As restrições de deslocamento terminariam na segunda-feira (3), mas o aumento de casos na cidade que tem 20 milhões de habitantes acelera em ritmo vertiginoso.

Segundo dados do Ministério da Saúde, Nova Déli registrou 27 mil novos casos e 375 mortes no sábado. Mas a cidade tem poucos testes disponíveis, e o número real de vítimas pode ser muito maior. O governo nacional e as autoridades estaduais estão sendo questionados por terem baixado a guarda no começo do ano e autorizado grandes eventos com aglomerações, como festivais religiosos e comícios políticos, que favoreceram a propagação do vírus.

O número de infecções diárias aumentou desde o início de abril, mas ainda no começo de março uma cúpula de cientistas já havia informado ao governo, chefiado pelo premiê Narendra Modi, que uma nova variante do vírus estava circulando no país. Mesmo com o alerta, comícios políticos e festivais religiosos aconteceram, com milhões de participantes que não usavam máscaras.

O número total de casos de Covid na Índia ultrapassou 19 milhões. Com a chegada da segunda onda, a Índia registrou cerca de 7,7 milhões de casos desde o final de fevereiro, segundo estimativa da agência Reuters. Em contraste, o país levou quase seis meses para atingir os 7,7 milhões de casos anteriores.

O aumento de casos levou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a impor restrições de viagens à Índia nesta sexta, barrando a entrada de viajantes, exceto os que têm cidadania americana.

Autoridades australianas, por sua vez, disseram que residentes e cidadãos que estiveram na Índia nos 14 dias anteriores da data que planejam voltar ao país serão proibidos de entrar na Austrália a partir de segunda-feira (3); os que desobedecerem enfrentarão multas e prisão. Outros países e territórios que impuseram restrições de viagem à Índia incluem o Reino Unido, a Alemanha, a Itália e Singapura —enquanto Canadá, Hong Kong e Nova Zelândia suspenderam voos comerciais com o país.

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