Descrição de chapéu O que a Folha Pensa

Mais 3,6 bilhões

Acréscimo de humanos a habitar o planeta dentro de 82 anos não significará o fim do mundo

Movimento na avenida Paulista, em São Paulo; Brasil deve perder nos próximos anos o posto de quinta nação mais população do mundo
Movimento na avenida Paulista, em São Paulo; Brasil deve perder nos próximos anos o posto de quinta nação mais população do mundo - Gui Gomes - 2.abr.17/Folhapress

Até o ano 2100, a população global deverá saltar dos atuais 7,6 bilhões de habitantes para 11,2 bilhões. Se as projeções das Nações Unidas noticiadas por esta Folha estiverem corretas, o crescimento será concentrado no continente africano e terá como característica uma alta acentuada do contingente de idosos em todo o mundo.

Trata-se de motivo de preocupação, decerto, mas não de alarme. A diferença é relevante, dado que, ao longo da história, cálculos a respeito da expansão futura da humanidade originaram previsões catastrofistas de esgotamento geral de recursos —o exemplo clássico é o ensaio de 1798 do economista britânico Thomas Malthus.

Entre os pensadores neomalthusianos, destaca-se Paul Ehrlich, professor de biologia de Stanford que em 1968 publicou “A Bomba Populacional”. “A batalha para alimentar toda a humanidade está perdida. Nos anos 1970, o mundo passará por grandes fomes —centenas de milhões de pessoas morrerão de inanição”, dizia o best-seller.

Tal cenário, como se sabe, esteve longe de se materializar naquela década, mas Ehrlich seguiu insistindo em suas visões sombrias, antecipando uma explosão de preços.

Em 1980, o economista Julian Simon, do grupo dos otimistas, desafiou o biólogo a fazer uma aposta. Os dois concordaram em escolher uma cesta de cinco metais para conferir o que aconteceria com seus valores dez anos depois. Todos estavam mais baratos.

Para Simon, o que gera a riqueza não são bens finitos, mas ideias. Elas levam a sociedade a promover os avanços tecnológicos que fizeram com que a capacidade de produção aumentasse estrondosamente nos últimos dois ou três séculos, gerando uma era de bonança material sem precedentes.

A imaginação humana, conforme o economista, constitui o recurso final e inexaurível. Mais gente no planeta significa mais chances de surgirem inovações.

Aqui se deve recomendar um tanto de cuidado com o excesso de otimismo. O sistema descrito, afinal, só será eficaz se questões como a superpopulação e a pressão sobre os meios naturais forem percebidas como problemas para os quais se devem encontrar soluções. Preocupação, pois, é fundamental.

O acréscimo de 3,6 bilhões de humanos a habitar o planeta dentro de 82 anos não significará o fim do mundo —perdoe-se o trocadilho. Há que enfrentar, no entanto, desafios que vão do aquecimento global ao provimento de educação e saúde, para que não se condenem multidões a viver à margem dos padrões de desenvolvimento.

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