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Lívia Humaire

Por que Bruno Covas deve sancionar a lei dos descartáveis?

Projeto aprovado proíbe plásticos em bares, hotéis e restaurantes

O vereador Xexéu Trípoli (PV), autor da lei que proibiu os canudos plásticos na cidade de São Paulo, propôs recentemente uma nova lei que agora pretende acabar com descartáveis como copos, talheres e pratos em hotéis, bares e restaurantes, incluindo fast foods. Em votação na Câmara Municipal, o projeto de lei foi aprovado e agora precisa ser sancionado pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) para entrar em vigor a partir de janeiro de 2021.

Essa é uma lei urgente, visto que promove a mudança de estado em todos os envolvidos —cidadãos consumidores passam a prestar mais atenção à causa; comerciantes precisam pensar em novos materiais de embalagem e métodos de trabalho; crianças e jovens poderão crescer com mais consciência ambiental, entre outros.

A geógrafa Lívia Humaire, idealizadora do projeto Mapeei - Uma Vida sem Plástico - Lucas Seixas - 7.jun.19/Folhapress

O plástico de uso único, como estamos cansados de saber, demora décadas para se degradar no ambiente e ainda deixa o rastro dos microplásticos. Um estudo recente da Universidade de Newcastle, na Austrália, revelou que ingerimos, por meio da água e de alimentos, o equivalente a um cartão de crédito por semana em microplásticos. Até que ponto eles podem prejudicar nossa saúde? Ainda não sabemos. Mas até onde estamos dispostos a arriscar e corroborar com os plásticos que não precisariam ser usados?

Ou seja, a hora de “transicionar” para uma vida mais consciente é agora. Costumo usar o termo “transições ecológicas” justamente porque sei que não basta querer retirar o plástico de nossas vidas em uma tacada só. É difícil, como a construção de qualquer novo hábito. É preciso ir com calma para não voltar atrás em poucas semanas.

Você pode começar substituindo a esponja de louças por uma de material vegetal. Na sequência, investir em compras a granel e de agricultores comprometidos com métodos de produção e distribuição conscientes. Outro exemplo, este talvez para quem já passou pelos outros dois, é compostar seu próprio resíduo orgânico em casa, deixando de enviar alimentos aos aterros sanitários e lixões e passando a produzir adubos e biofertilizantes.

Desde 2014, quando conheci o movimento global "zero waste", focado no desperdício zero de lixo, venho empenhada em mudar os meus hábitos e os da minha família. Hoje posso dizer que somos mais leves e que reduzimos em cerca de 85% nossa geração diária. Foi complexo no início, mas de lá para cá muitos projetos nasceram para nos apoiar em processos sustentáveis.

Precisamos resgatar os hábitos simples, investir em uma vida menos focada no consumo voraz. Ou você prefere continuar na mesma? Certamente muitos irão gastar com essa mudança, mas estarão investindo no futuro de nossos filhos e netos.

Lívia Humaire

Geógrafa, especialista em neurociência e idealizadora do projeto Mapeei - Uma Vida sem Plástico

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