Descrição de chapéu

Álcool no isolamento

Pandemia eleva consumo caseiro de bebida; dano deve ser tratado com informação

O consumo abusivo de álcool —tomar mais de quatro ou cinco doses em uma única ocasião— cresceu 42,9% entre as mulheres nos últimos 13 anos
Consumo doméstico de bebidas alcoólicas cresce na pandemia - Flickr/Patrick Silva

Do bar para a casa: entre fevereiro e março, serviços de venda pela internet e entrega de bebidas registraram aumentos de até 50% na demanda por etílicos, segundo dados de plataformas do setor.

Fenômeno similar ocorre em outros países. Nos Estados Unidos as vendas de bebida alcoólica elevaram-se em 55% em meados de março, conforme pesquisa divulgada pelo jornal Washington Post.

O acréscimo no consumo doméstico sugere mais um deslocamento de local do que propriamente uma alta da demanda na pandemia. A Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) registrou uma queda média de 52% no faturamento do setor entre os dias 15 e 31 de março.

O álcool pode ser visto por muitos como uma forma de lidar com os efeitos decorrentes do isolamento social, como ansiedade e solidão. Ademais, eventos virtuais, muitos deles promovidos por celebridades e artistas populares, não raro são regados a bebida.

Os excessos, como se sabe, podem gerar consequências sombrias. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para mulheres e pessoas com mais de 65 anos o máximo recomendado é de até três doses por dia ou sete por semana. Para homens, o limite é de até quatro por dia ou 14 por semana.

Especialistas apontam que o álcool reduz a imunidade, além de trazer riscos para a saúde física e mental durante o período.

Cabe lembrar ainda que o consumo caseiro está entre os fatores apontados para a maior ocorrência de violência contra a mulher. Dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que, desde o início das restrições à circulação, os pedidos de socorro emitidos de dentro de casa aumentaram em 19,8% no estado de São Paulo.

A OMS recomenda que governos e empresas restrinjam as vendas de bebida, mas a experiência histórica mostra que a estratégia repressiva é ineficaz nesses casos.

Restam paliativos, como incluir em campanhas alertas sobre o uso excessivo de álcool e outras drogas. A conscientização se mostra o caminho menos imperfeito para lidar com o problema.

editoriais@grupofolha.com.br

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.