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Raul Cutait

Responsabilidade de todos

Mídia deveria se unir em grande campanha de prevenção

Raul Cutait

Professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da USP, cirurgião do Hospital Sírio-Libanês e membro da Academia Nacional de Medicina

Estamos chegando ao fim do ano e todos se preparam para as festividades, cansados de meses de restrições —muitos talvez mais envolvidos com suas necessidades emocionais do que com o flagelo coletivo que estamos revivendo, que é o aumento dos casos de Covid-19.

Após ceifar a vida de dezenas de milhares de brasileiros, a pandemia evoluiu com uma diminuição significativa de mortes e casos graves, algo que se reverteu nas últimas semanas, e desta vez atingindo em grande parte pessoas mais jovens.

O professor e cirurgião Raul Cutait - Zanone Fraissat - 4.dez.19/Folhapress

Assim, para que os próximos meses não sejam catastróficos, é preciso retomar algumas medidas preventivas para diminuir a disseminação do vírus, aproveitando o que se aprendeu durante este ano.

Os apelos para o famigerado isolamento foram, num primeiro momento, eficazes para quem pôde exercê-lo —o que não foi a realidade para importante camada da população que vive em condições habitacionais precárias, bem como para aqueles que subsistem às custas da economia informal, que correspondem a cerca de um terço de nossa força de trabalho.

Entretanto, hoje a situação é distinta, uma vez que, com o correr dos meses, o isolamento social passou a ser cada vez mais desgastante. Consequentemente, passamos a ver mais concentrações de pessoas em ruas e praias, assim como em festas, jantares, bares etc. Esse atual comportamento fez com que o preconizado distanciamento entre as pessoas fosse também menos praticado. Finalmente, os cuidados individuais, como o uso de máscaras e a higiene constante das mãos com sabonete ou álcool em gel, também foram abrandados. Ou seja, o apelo às medidas preventivas já não ganha mais a receptividade da população.

As vacinas começaram a entrar no mercado, mas muitos dos experts na área sinalizam que seu impacto no controle da pandemia não ocorrerá antes de meados do próximo ano.

Portanto, não podemos negligenciar as medidas preventivas; ao contrário, mais do que nunca precisamos estar motivados para cumpri-las. Para isso, creio ser fundamental o papel proativo das mídias impressa, televisiva e sociais, as quais poderiam se aliar numa grande e eficiente campanha de prevenção; quem sabe até mesmo com depoimentos de pessoas que sobreviveram, que perderam entes queridos ou que simplesmente se resguardam, com todos os sacrifícios impostos por tal atitude.

O fato é que somos todos responsáveis por uma grande missão, que é cuidar de si próprio, de sua família e de seu próximo! Em prol da vida. Com a palavra, nossos meios de comunicação!

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