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laranjas do PSL

Turismo político

Álvaro Antônio sai, e apuração do escândalo dos laranjas permanece inconclusa

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Marcelo Álvaro Antônio, demitido do Ministério do Turismo - Pedro Ladeira/Folhapress

Enfim demitido do Ministério do Turismo na quarta-feira (9), Marcelo Álvaro Antônio deu sua insigne contribuição para o perfil sofrível do primeiro escalão do governo federal e ajudou a expor a leniência do presidente Jair Bolsonaro com aliados envolvidos em acusações de irregularidades.

Uma série de reportagens da Folha revelou, em 2019, um esquema fraudulento de candidaturas de mulheres nas eleições do ano anterior. Por indicação do PSL de Minas, então presidido por Álvaro Antônio, o comando nacional da sigla (pela qual Bolsonaro candidatou-se à Presidência) destinou R$ 279 mil a quatro candidatas.

A soma correspondia ao percentual mínimo de 30% exigido pela Justiça Eleitoral para candidaturas femininas. Embora tenham figurado entre os 20 postulantes da agremiação que mais receberam dinheiro público, todas juntas tiveram pouco mais de 2.000 votos.

O agora ex-ministro foi indiciado pela Polícia Federal sob suspeita dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita e associação criminosa, delitos com penas de até cinco, seis e três anos de reclusão, respectivamente. Depois, tornou-se alvo de denúncia por parte do Ministério Público de Minas Gerais.

Apesar das graves evidências, o presidente preferiu manter o titular da pasta, enquanto as investigações, deploravelmente, permanecem sem resultado.

Álvaro Antônio é um entusiasta de primeira hora da candidatura Bolsonaro. Ainda na véspera de ser expelido, derramou-se em elogios ao chefe, em discurso proferido no lançamento do Instituto Liberal-Conservador, do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

“Deus levantou o presidente Bolsonaro para a bênção desta nação. Em cada momento, em cada detalhe eu parava e via a mão de Deus sobre a vida do presidente”, disse.

Se o ex-ministro via a mão divina a beneficiar o então postulante de seu partido, parece não ter vislumbrado que as ameaças a rondar sua permanência na pasta logo se consumariam.

Embora um bate-boca por aplicativo com o chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, tenha servido de pretexto, a demissão já estava previamente definida.

O afastamento atende à necessidade de dar prosseguimento aos conchavos com partidos do centrão, com vistas a garantir a sobrevivência política do presidente.

Por ora, o ministério ficará sob o comando de Gilson Machado, que chefiava a Embratur, mas prevê-se indicação pautada pelo toma lá dá cá ao qual Bolsonaro aderiu.

editoriais@grupofolha.com.br

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